Os rebeldes houthis do Iêmen, que contam com o alinhamento do Irã, declararam neste sábado que realizaram ataques contra instalações petrolíferas e aeroportos na Arábia Saudita. Enquanto isso, a coalizão liderada pelos sauditas — força que combate o grupo insurgente — informou a interceptação de dois mísseis no momento em que as hostilidades entre os dois lados ganham força.
Em outra frente do conflito em escalada reavivado pela guerra envolvendo o Irã, o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita informou que os houthis também dispararam três mísseis balísticos contra instalações da guarda costeira na cidade portuária de Áden, no sul do país, sem relatos de vítimas.
Até o momento, não houve confirmação oficial por parte das autoridades sauditas acerca dos relatos, e permanece incerto se os alvos no reino foram efetivamente atingidos ou se os projéteis acabaram interceptados.
Alvos dos ataques e alertas de defesa
O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que o grupo teve como alvo o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, uma instalação da Aramco em Yanbu, a refinaria de petróleo de Rabigh, estações de bombeamento de petróleo bruto e o oleoduto East-West.
Ele também disse que o grupo atacou o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, um aeroporto em Najran e uma base aérea em Khamis Mushait.
Horas antes, a Defesa Civil da Arábia Saudita emitiu brevemente alertas advertindo moradores sobre um possível perigo em Taif e Yanbu, bem como na cidade sagrada de Meca e em Jeddah, a segunda maior cidade do reino. Cerca de dez minutos depois, o órgão informou que a ameaça havia passado.
As interceptações ocorreram dois dias após os houthis afirmarem ter atacado o Ministério da Defesa saudita, em Riad, instalações da gigante petrolífera Saudi Aramco na cidade de Yanbu, às margens do Mar Vermelho, e o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, onde autoridades sauditas disseram que duas pessoas morreram.
A Aramco orientou funcionários a evacuarem sua sede na cidade de Dhahran, no Golfo, disseram à Reuters, na quinta-feira, seis fontes com conhecimento do assunto.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita informou na quinta-feira que interceptou drones sobre Riad e Medina, não muito longe de Yanbu. Na quarta-feira, os houthis negaram ter lançado drones em direção a Medina, após a coalizão afirmar que havia interceptado aeronaves não tripuladas sobre a cidade sagrada e sobre a Região Oriental da Arábia Saudita.
Ataques no sul do Iêmen
No Iêmen, o Ministério do Interior do governo internacionalmente reconhecido informou que os houthis dispararam três mísseis balísticos contra instalações da guarda costeira em Áden neste sábado. Dois mísseis atingiram o quartel-general da guarda costeira no complexo do ministério, enquanto um terceiro atingiu um edifício da guarda costeira no distrito de Tawahi, segundo o ministério.
Em comunicado separado, Saree afirmou que as forças houthis atacaram concentrações de tropas apoiadas pela Arábia Saudita no que chamou de Campo Al-Nasr e em uma base naval militar em Áden, alegando que oficiais sauditas supervisionavam a mobilização no local. A coalizão liderada pelos sauditas não comentou imediatamente a declaração.
Os houthis advertiram companhias aéreas no início deste mês a não utilizarem o espaço aéreo saudita, excetuando apenas o espaço aéreo sobre Meca e Medina, à medida que aumentavam os ataques contra o reino.
A retomada dos combates destruiu a trégua mediada pela ONU em 2022, que havia interrompido em grande medida os ataques transfronteiriços entre a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, e os houthis, que controlam a capital Sanaa. A escalada abriu mais uma frente na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
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