A brasileira Rebeca Andrade garantiu a medalha de ouro na final do salto do Mundial de ginástica artística, disputada na manhã deste sábado (24), em Roterdã, na Holanda. Foi a terceira conquista da ginasta no aparelho, na volta da medalhista olímpica à competição após três anos.
Rebeca fez saltos de 14,400 e 14,133 e terminou com média 14,466. A prata foi de Claire Pease (14,233), e o bronze, de Skye Blakely (14,166), ambas dos Estados Unidos.
A brasileira também ganhou o ouro na prova do salto no Mundial de Kitakyushu, no Japão, em 2021, e no da Antuérpia, na Bélgica, em 2023.
Ela havia passado à final com a melhor nota do classificatório, na segunda-feira (19). Na ocasião, somou 14,400 no primeiro salto, o Duplo Twist Yurchenko, e 14,266 no segundo, quando fez acrobacia chamada Lopez.
Com a medalha, Rebeca chega a dez pódios em Mundiais, em quatro participações. Antes, tinha três ouros (dois no salto e um no individual geral, em Liverpool, em 2022), quatro pratas e dois bronzes.
“Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para ganhar o ouro e estou satisfeita”, disse Rebeca em entrevista à Globo logo depois de encerrar sua participação no Mundial.
A ginasta afirmou ainda que saiu do período de descanso e se prepara para outros objetivos no próximo ano —decisivo para as Olimpíadas de 2028, em Los Angeles.
“Não quero mais fazer solo, mantenho meu pensamento. Escolho respeitar isso e acho que tenho direito de respeitar isso também”, disse a ginasta natural de Guarulhos (SP).
Rebeca não competia oficialmente desde 2024, após a participação nos Jogos de Paris e no Campeonato Brasileiro, em julho e setembro. Maior medalhista olímpica da história do Brasil, Rebeca tem seis pódios: dois ouros, três pratas e um bronze.
Ela também ficou de fora do Mundial de 2025, em Jacarta, na Indonésia. A ginasta disse na época que o ano seria dedicado à saúde física e mental.
Seu técnico, Francisco Porath, chamou o período de “destreinamento ativo”, e afirmou que os compromissos mais importantes viriam a partir de 2026, quando começa a valer a classificação olímpica.
A volta da brasileira às competições ocorreu em junho deste ano, com o ouro no salto no Pan-Americano de ginástica artística, no Rio de Janeiro.
Em setembro, ela também ficou com a prata na trave, na etapa da Hungria da Copa do Mundo, atrás de Flávia Saraiva.
Em agosto de 2025, a ginasta anunciou que não disputaria mais o solo, aparelho em que foi ouro olímpico em Paris e medalhista nos Mundiais de 2022 (bronze) e 2023 (prata).
A decisão foi motivada por dores e pela necessidade de preservar a saúde após cinco cirurgias no joelho, a primeira delas depois de uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, em 2015.
“O solo é o aparelho que mais causa impacto”, disse Rebeca Andrade na ocasião. “Sei que vocês amam quando faço solo, mas ainda posso mostrar muito nos outros aparelhos.”
Desempenho da delegação brasileira no Mundial
O Mundial de Roterdã teve resultados mistos para o restante da delegação brasileira. Na quarta-feira (21), o Brasil ficou em quinto lugar na final por equipes feminina, com 159,730 pontos, e não garantiu vaga antecipada nos Jogos de Los Angeles-2028. China, Estados Unidos e Japão levaram ouro, prata e bronze, assegurando lugar na próxima edição das Olimpíadas. Rebeca representou o país no salto e na trave.
Por ter chegado à final, a seleção feminina está garantida no Mundial de 2027, que será realizado em Chengdu, na China, e que distribuirá mais nove vagas para os Jogos nos Estados Unidos.
Na sexta-feira (23), Flávia Saraiva ficou em 12º lugar, e Lorrane Oliveira, em 21º, na final do individual geral. Skye Blakely, dos Estados Unidos, ficou com o ouro. A prata foi de Liudmila Roshchina, da Rússia, e o bronze de Qinqin Ke, da China.
Entre os homens, o Brasil não avançou a nenhuma final, algo que não acontecia desde 2010. A melhor colocação no individual geral foi de Diogo Soares, que ficou em 36º lugar.
Arthur Nory chegou a cair durante sua apresentação na barra fixa e precisou levar quatro pontos na região entre as sobrancelhas. O Brasil terminou apenas em 19º lugar no classificatório geral entre os homens.
O Brasil ainda terá mais uma chance de medalha em Roterdã, com Flávia Saraiva, na final da trave, no domingo (25), a partir das 10h (horário de Brasília). O SporTV2 transmite a disputa.
Ouro no aparelho na etapa da Hungria da Copa do Mundo, em setembro, Flávia passou à decisão com a terceira melhor nota.
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