As vendas combinadas de canetas para perda de peso no Brasil, na China e na Índia têm potencial para saltar dos atuais US$ 6,6 bilhões (R$ 33,24 bilhões) para US$ 22 bilhões (R$ 110,81 bilhões) até o ano de 2035. A projeção foi divulgada em um relatório do J.P. Morgan e reflete o aumento na acessibilidade e a ampliação do acesso a esses tratamentos em regiões que ainda contam com um público consumidor pouco explorado.
Crescimento impulsionado por diabetes e obesidade
Conforme o levantamento liderado por analistas como Yang Huang, o mercado potencial poderá registrar uma taxa anual de crescimento de 15% até 2035. O cálculo leva em conta a alta incidência de casos de diabetes e obesidade nessas nações.
Fármacos baseados em GLP-1 — a exemplo de Wegovy e Ozempic, fabricados pela Novo Nordisk, além do Zepbound, da Eli Lilly — consolidaram-se globalmente entre os tratamentos mais procurados para o controle do diabetes e a redução de peso.
Enquanto a China e a Índia concentram, respectivamente, mais de 25% e 15% dos diagnósticos mundiais de diabetes, o Brasil possui cerca de 12% de sua população adulta afetada pela doença. Paralelamente, os três países lidam com o avanço da obesidade: a parcela de pessoas com sobrepeso ou obesas na China pode superar 65% até 2030, e a taxa de obesidade adulta na Índia tem projeção de alcançar 11% até 2035.
“O GLP-1 está passando de um tema de crescimento nos mercados desenvolvidos para uma história de acesso global mais ampla…”, afirmaram os analistas.
“Com o vencimento de patentes, o lançamento de genéricos e os cortes de preços impulsionados por políticas públicas, que agora estão melhorando a acessibilidade do GLP-1, os três mercados estão convergindo para o mesmo destino.”
Cenário nos mercados emergentes
Atualmente, o uso de terapias com GLP-1 nesses territórios segue restrito devido ao custo, registrando índices de penetração inferiores a 0,1% na China e a 0,2% na Índia, enquanto nos Estados Unidos esse patamar varia de 4% a 5%.
No Brasil, que hoje representa o maior mercado entre os três avaliados, a estimativa é de que a penetração das canetas emagrecedoras atinja de 7% a 8% entre a população obesa até 2035, enquanto nos Estados Unidos a marca deve ficar em torno de 30%.
A expectativa do J.P. Morgan é de que a China ultrapasse o Brasil até 2027. O mercado chinês deve alcançar US$ 13,7 bilhões (R$ 68,99 bilhões) até 2035, impulsionado pela alta incidência de diabetes e por políticas de reembolso mais abrangentes, superando o mercado brasileiro, projetado em US$ 8 bilhões (R$ 40,29 bilhões).
Por sua vez, a Índia figura como o menor dos três mercados. No país, o avanço é freado por barreiras financeiras e posturas conservadoras, com a persistência de receios em relação a medicamentos injetáveis e uma mudança cultural lenta em relação aos tratamentos.
Por fim, o relatório apontou a RD Saúde, no Brasil, a Innovent (China), além da Divi’s Laboratories e da Torrent Pharmaceuticals (Índia), como as principais ações recomendadas para capitalizar a expansão global do mercado de GLP-1.
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