A principal líder da extrema direita francesa e favorita na corrida presidencial do próximo ano, Marine Le Pen, oficializou sua candidatura neste domingo com a promessa de devolver a ordem e a confiança nacional à França. Em meio a um cenário de instabilidade no país, ela se posicionou como a liderança mais qualificada para solucionar crises econômicas, sociais e de segurança.
‘Não estamos vivendo o fim do mundo, mas o fim de um mundo, o mundo deles’, declarou a política aos seus opositores durante o evento de lançamento. O discurso inaugural ocorreu em Orléans, município histórico ligado a Joana d’Arc, figura do século XV tratada pelos nacionalistas como símbolo de soberania e patriotismo. Diante de apoiadores, ela defendeu uma política de ‘tolerância zero’ contra o crime e garantiu que o principal papel do Estado é restabelecer a segurança.
Contexto de protestos e favoritismo nas urnas
As manifestações de rua ocorridas no último final de semana, motivadas pela desigualdade social e pelo encarecimento do custo de vida, culminaram em atos de vandalismo e saques. Esse ambiente de tensão parece ter impulsionado a popularidade da candidata. Um levantamento de intenções de voto divulgado neste domingo colocou Marine Le Pen na liderança isolada, com patamares entre 32% e 33,5%, superando com ampla margem o principal oponente da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que registra 17%. As projeções indicam que Le Pen venceria Mélenchon com facilidade no segundo turno, agendado para o início de maio.
Com o intuito de inspirar confiança, o discurso da candidata girou em torno de uma ‘Renascença’ para o país. Ela argumenta que a nação atravessa uma fase de transição complexa, mas que emergirá fortalecida por meio da segurança, prosperidade e renovação. ‘Nós dizemos: ‘as coisas eram boas antes, serão melhores amanhã!”, afirmou. Entre suas propostas estão o endurecimento das leis de imigração, a retomada de barreiras alfandegárias, a deportação automática de estrangeiros condenados por crimes e o combate mais duro a facções criminosas e traficantes. Vale destacar que a própria Le Pen pode realizar campanha com o auxílio de uma tornozeleira eletrônica, após condenação por desvio de verbas do Parlamento Europeu, sentença da qual ela recorre.
Propostas econômicas e alianças políticas
No campo da economia, a candidata assumiu compromissos como a contenção de gastos públicos, desoneração tributária para companhias, corte de burocracia e fomento à indústria, à inovação e à inteligência artificial, além de se opor a novos aumentos na idade mínima para aposentadoria. O evento partidário buscou sinalizar coesão na cúpula do partido Reagrupamento Nacional. Na ocasião, Jordan Bardella teve sua presidência na sigla renovada e foi apontado por Le Pen como seu nome para o cargo de premiê.
Durante o ato, a fala de Bardella sofreu interrupções de integrantes de um movimento estudantil judaico, que protestaram contra alegações recentes de declarações antissemitas na juventude — acusações veementemente negadas por ele. Ao longo de mais de dez anos, Le Pen trabalhou para remodelar a legenda que herdou de seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2011, atenuando a rejeição pública e expandindo o eleitorado além do nicho tradicionalmente anti-imigração.
Em relação à União Europeia, a política absteve-se de pregar a saída do bloco, mas assegurou que diminuirá o peso de Bruxelas, reativará a soberania sobre fronteiras e legislações e priorizará os interesses franceses, o que inclui afastar o país de conflitos internacionais. ‘O futuro nos pertence’, proclamou aos simpatizantes que entoavam o hino nacional sob bandeiras da França.
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