O mercado de fundos imobiliários reagiu negativamente à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela presidência da República. O Ifix – índice dos FIIs mais negociados na Bolsa – operou em forte queda e fechou o dia com perdas de 5,64%.
O resultado marcou o terceiro pior desempenho da história do indicador, ficando atrás apenas das sessões de 12 e 18 de março de 2020, período em que a pandemia da Covid-19 foi decretada. Nessas ocasiões, o índice recuou 6,57% e 13,23%, respectivamente.
No pregão desta segunda-feira (26), os fundos anularam por completo os ganhos acumulados entre o primeiro e o segundo turno do pleito. Durante esse intervalo, as carteiras registraram valorizações de até 22% impulsionadas pela expectativa de vitória do candidato da oposição.
Nenhum dos 97 ativos que integram o Ifix terminou o dia no campo positivo. Na ponta negativa, as desvalorizações superaram 17%, a exemplo do TG Ativo Real (TGAR11), que havia liderado as altas antes do segundo turno. Veja as maiores baixas do dia:
– TGAR11: -17,22% (no ano: -47,8%) – PVBI11: -15,12% (no ano: -15,47%) – VGHF11: -13,91% (no ano: -22,92%) – JSRE11: -13,84% (no ano: -0,08%) – RCRB11: -12,87% (no ano: 1,96%) – JSAF11: -12,29% (no ano: 0,14%) – BBIG11: -12,22% (no ano: -23,65%) – HSML11: -11,94% (no ano: -2,49%) – TEPP11: -11,73% (no ano: -10,01%) – KORE11: -11,06% (no ano: -1,77%) (Fonte: B3, 26/10/2016 – 17h10)
Queda de preços versus deterioração dos fundamentos
Marcos Baroni, head de fundos imobiliários da Suno, aponta que o comportamento negativo dos FIIs nesta segunda-feira decorre principalmente da disparada nos juros futuros, fator que exerceu forte pressão sobre as cotações no mercado.
Para o especialista, é essencial separar a desvalorização dos preços de uma eventual deterioração dos fundamentos das carteiras. Segundo ele, a queda nas cotas não indica obrigatoriamente que os imóveis, os acordos de locação ou a capacidade de geração de renda dos fundos tenham se degradado na mesma proporção.
Em publicação nas redes sociais, Professor Baroni pondera, contudo, que essa distinção não anula os riscos do novo cenário macroeconômico. A elevação dos juros reduz a atratividade dos fundos imobiliários frente a outras alternativas de investimento, além de penalizar as cotações no mercado secundário.
O especialista ressalta que o investidor precisa compreender o que mudou nos fundamentos e nas perspectivas econômicas antes de tomar decisões. A análise deve considerar fatores como a qualidade dos ativos, os contratos de locação, a capacidade de geração de renda e o impacto das condições financeiras sobre cada fundo.
Em uma análise divulgada após as eleições, Baroni também chamou a atenção para as incertezas relacionadas aos juros, à economia e aos possíveis efeitos sobre o mercado imobiliário. Embora o resultado eleitoral tenha sido definido, esses fatores continuam relevantes para o desempenho dos fundos.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
