Um dia após reeleição de Lula, Holanda anuncia R$ 2,5 bilhões para proteger florestas tropicais

Holanda destina R$ 2,5 bilhões para fundo brasileiro de florestas

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Um dia após a reeleição do presidente Lula, o governo da Holanda comunicou nesta segunda-feira, 26 de outubro, a intenção de investir até US$ 500 milhões — o equivalente a quase R$ 2,5 bilhões — no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O aporte financeiro foi oficializado ao Parlamento holandês pelo ministro de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma, e tem como objetivo apoiar a preservação ambiental ao longo de dez anos, desde que sejam atendidas as exigências financeiras e operacionais estipuladas pelo fundo.

O anúncio ocorreu em menos de 24 horas após o triunfo de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, período em que o primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, esteve entre os líderes da Europa a cumprimentarem o brasileiro pelo resultado nas urnas.

Importância da preservação

Ao oficializar a decisão, o ministro holandês enfatizou o papel da conservação da natureza para a estabilidade global. “As mudanças climáticas são uma ameaça direta à nossa segurança, à nossa prosperidade e às nossas liberdades”, afirmou Sjoerdsma, em comunicado oficial.

Segundo o representante do governo europeu, proteger as matas tropicais auxilia na diminuição das emissões de gases de efeito estufa, além de salvaguardar a biodiversidade e a produção global de alimentos. A gestão holandesa pontuou que a ferramenta concederá incentivos financeiros às nações que mantiverem suas áreas verdes intactas.

Avanço do projeto global

A proposta do Fundo Florestas Tropicais para Sempre foi apresentada pelo Brasil durante a COP30, ocorrida em Belém, no Pará, em novembro de 2025. O modelo difere de doações tradicionais por planejar investir os recursos captados no mercado financeiro, utilizando os lucros para remunerar países que conservarem seus biomas.

Com a entrada da Holanda, o projeto atinge a marca de US$ 7,8 bilhões em compromissos de financiamento. O patamar inicial almejado é de US$ 10 bilhões até dezembro de 2026, restando atualmente US$ 2,2 bilhões para alcançar essa meta. O planejamento de longo prazo visa consolidar US$ 125 bilhões, divididos entre US$ 25 bilhões de cofres estatais e US$ 100 bilhões de investidores privados. Noruega, Indonésia, Alemanha, França, Luxemburgo e Reino Unido também integram a lista de apoiadores.

Regras de repasse e monitoramento

O mecanismo prevê pagamentos indicativos de US$ 4 por hectare preservado anualmente, com fiscalização baseada em imagens de satélite. Países que apresentarem avanço no desmatamento ou na degradação ambiental poderão sofrer cortes nos repasses. Ademais, parte dos rendimentos será direcionada a povos indígenas e comunidades tradicionais devido à relevância na proteção das matas. A projeção do governo holandês aponta que a estratégia pode tutelar de 800 milhões a 900 milhões de hectares de florestas tropicais mundialmente.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, celebrou a medida adotada pelos europeus: “A adesão dos Países Baixos ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre representa mais um importante voto de confiança na iniciativa proposta originalmente pelo Brasil”, afirmou.

Apesar da coincidência cronológica com a vitória eleitoral de Lula, o governo da Holanda tratou o investimento como parte de suas metas internacionais de financiamento climático. A formalização do ato está programada para ocorrer durante a COP31, marcada para novembro em Antália, na Turquia.

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