A Agência de Cibersegurança e Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) confirmou, nesta segunda-feira (26), que duas vulnerabilidades críticas no PHP, coletivamente chamadas de “PHP2Shell”, estão sendo ativamente exploradas em ataques cibernéticos. O alerta resultou em uma ordem direta para que agências federais norte-americanas apliquem os patches de segurança nos servidores antes de prazos rigorosos, o que reforça o risco para milhões de sistemas vulneráveis na internet.
As falhas, rastreadas como “CVE-2026-109618? e “CVE-2026-109619?, afetam o núcleo da linguagem de programação e permitem que criminosos obtenham execução remota de código sem precisar de privilégios ou senhas. “Esses tipos de vulnerabilidades representam um vetor de ataque frequente para criminosos cibernéticos e oferecem riscos severos aos sistemas”, alertou a CISA, ao oficializar a inclusão das brechas no catálogo de exploração ativa.
Embora os desenvolvedores do PHP tenham liberado correções para as versões suportadas, relatórios de empresas de cibersegurança como Cloudflare, Hadrian e Previdian indicam que tentativas de exploração em massa começaram antes mesmo da divulgação oficial dos patches. A linguagem em questão sustenta 70% dos sites da internet, com mais de 5,1 milhões de hosts expostos e 3,8 milhões de instâncias vulneráveis a portas abertas segundo dados do VirusTotal.
Especialistas da watchTowr confirmaram a circulação de códigos maliciosos direcionados a essas brechas. “A exploração atinge servidores expostos que rodam configurações vulneráveis, exigindo que administradores priorizem a atualização imediata do ambiente para evitar comprometimentos”, destacou a equipe da empresa de cibersegurança, em análise técnica.
Extorsão e vazamento de dados
Investigações complementares conduzidas pela Unidade de Pesquisa de Ameaças da SOCRadar revelaram que uma infraestrutura ligada a operadores maliciosos também foi utilizada em campanhas de extorsão contra o setor imobiliário no Japão. Os criminosos comprometeram servidores para extrair bancos de dados com informações confidenciais de usuários, incluindo credenciais e dados financeiros, utilizando o material roubado para pressionar empresas afetadas.
A análise forense feita pela SOCRadar demonstrou que ferramentas associadas ao PHP2Shell foram integradas aos servidores dos atacantes logo após a divulgação das falhas. No entanto, analistas da mesma unidade identificam que a intrusão inicial ocorreu por meio de credenciais reutilizadas e falhas de configuração em ambientes de hospedagem compartilhada. Esse movimento evidencia que a ameaça vai além de uma única vulnerabilidade de software.
Pesquisadores de segurança da SOCRadar ressaltam que apenas aplicar o patch do PHP não basta para reverter um ataque caso o servidor já tenha sido invadido. “O processo de mitigação exige uma varredura completa em busca de arquivos maliciosos ocultos, verificação de tarefas agendadas e a troca integral de chaves de acesso e senhas”, alertou a equipe da empresa de cibersegurança.
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