A entrada tardia da fabricante japonesa no mercado de veículos totalmente elétricos traz ao mundo o novo Suzuki e Vitara, um utilitário esportivo que se diferencia da concorrência por oferecer uma configuração equipada com tração integral. A versão avaliada em solo nacional foi justamente esta, a mais potente e completa da gama, revelando tanto grandes trunfos quanto obstáculos difíceis de superar frente aos rivais de segmento.
Design e proposta visual
Apesar de herdar o nome tradicional do modelo movido a combustão, o e Vitara afasta-se totalmente dele em termos de identidade visual. O veículo estreia uma nova linguagem estética marcada por linhas geométricas, caixas de rodas bastante evidentes e uma assinatura luminosa batizada de «matriz de 3 pontos», aplicada tanto na dianteira quanto na traseira.
Mesmo não sendo a opção mais chamativa da categoria, agrada quem busca um automóvel com linhas discretas, porém consideravelmente mais modernas e ousadas do que os padrões conservadores que a marca costumava adotar. A unidade avaliada trazia o acabamento S3 e vinha equipada com rodas de 19 polegadas, reforçando a robustez visual do conjunto.
Desafios na tecnologia interna
O interior representa uma evolução notável para a montadora, mas o sistema tecnológico ainda fica atrás dos principais concorrentes. O painel conta com dois visores de 10 polegadas: um dedicado aos instrumentos e outro focado na central multimídia. Enquanto a tela de instrumentos cumpre bem o seu papel de forma clara, o visor central deixa a desejar com gráficos datados e respostas lentas aos comandos.
O funcionamento geral não se mostra intuitivo, exigindo que o motorista navegue por muitos menus para acionar assistências de condução ou ajustar configurações básicas. Até mesmo a mudança no nível de frenagem regenerativa precisa ser feita por meio de menus digitais, uma vez que o modelo não dispõe de borboletas atrás do volante, algo que tornaria a operação muito mais prática e segura.
Versatilidade e espaço de carga
Em termos de montagem, a cabine passa com distinção, sem apresentar ruídos indesejados mesmo ao rodar por pisos bastante irregulares. O acabamento da versão S3 inclui bancos revestidos em tecido e couro sintético marrom, além de banco do motorista com ajustes elétricos. O grande diferencial reside na fileira traseira: os assentos são deslizáveis longitudinalmente, permitindo escolher entre priorizar o espaço para as pernas ou ampliar o volume do porta-malas.
Ainda assim, a capacidade de carga continua limitada. Com os assentos recuados, o compartimento oferece apenas 238 litros, valor que sobe para 310 litros quando os bancos são levados totalmente à frente. Para o uso cotidiano o espaço atende bem, mas fica abaixo de rivais como o Skoda Epiq, o Citroën ë-C3 Aircross e o KIA EV2, além de perder para o Vitara a combustão, que entrega 362 litros de capacidade.
Conforto de marcha e desempenho AllGrip
No quesito conforto rodoviário, o utilitário surpreendeu positivamente. Mesmo pesando mais de 1800 kg e utilizando rodas aro 19, o rodar mantém-se suave e o isolamento acústico é de alto nível, tornando a condução relaxante para quem passa muitas horas ao volante.
A configuração AllGrip integra um segundo motor elétrico no eixo traseiro, totalizando 135 kW (184 cv) de potência combinada e 307 Nm de binário. A bateria de 61 kWh garante uma autonomia máxima de 395 km — cerca de 31 km a menos que a versão de tração dianteira com o mesmo acumulador de energia. O consumo médio registrado ficou em 16,7 kWh/100 km, mantendo-se alinhado aos dados oficiais da fabricante.
Além do asfalto, o sistema de tração integral e os modos de condução específicos permitem enfrentar terrenos de baixa aderência com segurança, contando ainda com o auxílio do controle de descida em declives acentuados.
O fator preço como barreira
O principal entrave para o sucesso do modelo está no custo de aquisição. A tabela começa em 27.820 euros para a opção com bateria menor de 49 kWh, saltando para 37.275 euros na variante de 61 kWh. Já a versão completa testada, com tração integral e pacote topo de linha, chega a custar 43.171 euros.
Trata-se de um valor elevado para a categoria, especialmente quando concorrentes diretos entregam mais autonomia e porta-malas maiores por quantias substancialmente menores, a exemplo de opções da Citroën que custam cerca de 10 mil euros a menos. Em suma, o Suzuki e Vitara entrega excelente conforto, silêncio a bordo e robustez construtiva, mas precisará ajustar sua competitividade financeira para conquistar o mercado.
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