Sete mulheres de Natal aprendem a transformar baldes, bacias e tampinhas descartadas em móveis e criam cooperativa para conquistar renda própria

Mulheres transformam plástico em móveis e criam cooperativa em Natal

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Um balde rachado e uma tampinha plástica que antes iam para o lixo ganharam nova utilidade nas mãos de sete moradoras do conjunto Gramoré, na Zona Norte de Natal. O grupo se uniu para reciclar resíduos e transformá-los em móveis e objetos de decoração, dando origem à Cooperativa EcoD’ellas, estruturada ao longo de 2026 com foco na capacitação profissional e na conquista de renda própria.

Para Francinete Nascimento, de 37 anos, o projeto representou a chance de retornar ao mercado de trabalho remunerado após três anos dedicados inteiramente aos cuidados da casa e dos filhos, período que sucedeu sua atuação como diarista.

A jornada do lixo ao design sustentável A articulação começou em fevereiro de 2026, reunindo mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica no Centro Educacional Dom Bosco. A iniciativa contou com o apoio do Sebrae-RN e da organização The Human Project, por meio do projeto ZRO, que viabilizaram a formação técnica necessária para transformar a matéria-prima em produtos comercializáveis. Sob a presidência de Christiane Pessoa, o grupo aprendeu que a fabricação vai muito além da força física.

O processo exige o manuseio de polietileno de alta intensidade (PEAD) e polipropileno (PP), encontrados em bacias, cadeiras, baldes e tampinhas. Antes de qualquer modelagem, as participantes realizam etapas fundamentais de triagem, limpeza e trituração. A mistura inadequada de diferentes tipos de plástico pode comprometer tanto a resistência quanto o acabamento das peças, tornando o rigor técnico indispensável para o sucesso do negócio.

Variedade de produtos e os desafios do mercado Até agosto de 2026, a oficina já havia desenvolvido um portfólio diversificado que incluía mesas, cadeiras, prateleiras, suportes para xícaras, pratos para bolo e, com forte destaque, sousplats. Embora a variedade comprove o avanço na qualidade e na função dos itens, a fase inicial ainda exige o aprendizado sobre escala de produção, custos e manutenção de estoques regulares para atender ao mercado.

A iniciativa demonstra como a ressignificação de resíduos caminha lado a lado com a emancipação pessoal das participantes. No entanto, os desafios persistem para além da produção das peças. Manter o empreendimento sustentável envolve assegurar o fornecimento contínuo de matéria-prima, organizar a divisão de tarefas entre as cooperadas e consolidar canais de venda, provando que o início promissor da EcoD’ellas abre caminho para a construção gradual de uma nova realidade econômica na capital potiguar.

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