Com uma paisagem que lembra cenários de cinema e área equivalente à cidade de São Paulo, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses atrai visitantes do mundo todo em função do regime das chuvas. No primeiro semestre, as precipitações enchem as lagoas, impulsionando o turismo com tours variados a partir de maio e junho. Já na baixa temporada, a partir de outubro, as lagoas temporárias secam, mas as multidões também somem, tornando-se o momento ideal para aproveitar as lagoas perenes sem aglomerações.
Hospedagem de alto padrão A hospedaria Oiá oferece pacotes de luxo para conhecer os Lençóis com mordomias e zero muvuca. A base principal é um casarão em Santo Amaro, cidade vizinha ao parque situada a quatro horas de carro da capital, São Luís. O local conta com oito suítes, incluindo bangalôs despojados que misturam mobiliário assinado, design modernista e cerâmicas regionais. A outra propriedade fica em Atins, vila de pescadores em Barreirinhas, do outro lado da unidade de conservação, dispondo de seis bangalôs e uma piscina.
A partir dessas bases, os hóspedes realizam passeios ajustados às preferências individuais, como quadriciclo pelas dunas, piquenique à beira das lagoas, luau sob as estrelas, caiaque, vista da revoada dos guarás e trekking. O formato une a privacidade de um hotel-boutique com os benefícios de um resort all-inclusive, integrando refeições e passeios. O preço da diária parte dos R$ 7.150, com estada mínima de três dias, garantindo guias e motoristas dedicados aos recantos mais desertos, distantes dos roteiros de grandes operadoras.
Acesso e recomendações essenciais O acesso a Santo Amaro a partir da capital pode ser feito de transfer pago à parte pela recém-inaugurada estrada. Para Atins, o trajeto exige ir de carro até o centro de Barreirinhas e seguir por meio de um barco que navega durante meia hora pelo rio Preguiças.
Independentemente da estação, o uso de protetor solar é imprescindível, já que a luz do sol reflete na areia e pode causar queimaduras mesmo com o tempo encoberto. O calor costuma superar os 30ºC, tornando recomendável o uso de camisetas com proteção UV de manga comprida. Devido às fortes ventanias em certas épocas, uma jaqueta corta-vento é útil para os mais friorentos. Para caminhar na areia escaldante, calçados fechados são ideais, evitando chinelos tipo Havaianas, que saem do pé com facilidade.
Aventuras pelas dunas e lagoas A travessia do parque ocorre comodamente a bordo de veículos 4×4 equipados com assentos externos na carroceria. Partindo da entrada por Atins, a lagoa dos Gaviões desponta como uma das perenes mais próximas, situada no fundo de um vale arenoso onde o nível da água não passa da altura do pescoço nesta época do ano. A uma curta caminhada, encontram-se lagoas menores e mais reservadas, onde os hóspedes da Oiá podem desfrutar de um almoço leve à sombra de uma tenda.
Na região de Santo Amaro, o rio Grande delimita o sul do parque. Suas águas calmas e rasas na baixa temporada convidam a passeios de caiaque em duplas ou individuais, impulsionados pela própria correnteza. No almoço, a equipe do hotel serve peixes locais preparados na bananeira e sarnambi, molusco semelhante ao vôngole.
Ainda na entrada oeste, o hotel promove passeios de quadriciclo pelas dunas, permitindo conduzir o veículo ou viajar na garupa de um guia. O trajeto parte da hospedagem, atravessa ruelas pobres da cidade e chega ao topo de uma montanha de areia para contemplar o pôr do sol, momento em que as lagoas ganham tons alaranjados em áreas delimitadas do parque.
Outro ponto privilegiado para o entardecer é o Circuito das Américas, acessível por barcos que cruzam áreas alagadas onde pastam bovinos e circulam burros, descendentes dos antigos animais de transporte local. Ao alcançar as dunas mais vegetadas, o cenário exibe desfiladeiros de areia com quedas abruptas.
Gastronomia e luaus exclusivos A gastronomia é um dos grandes atrativos, com cardápio desenvolvido pela chef Morena Leite, do Capim Santo. Na Oiá Atins, os jantares ocorrem no deque à beira da piscina com opções à la carte e drinks de tiquira, aguardente local feita de mandioca. Na Oiá Casa Lençóis, em Santo Amaro, cajueiros e pés de angelim abrigam jantares e almoços ao ar livre com pratos como arroz de cuxá.
Como alternativa exótica, é possível reservar um luau pago à parte no parque. Veículos 4×4 transportam os visitantes a um ponto isolado com mesa farta e apresentação musical à luz de velas, sob as estrelas.
Peixadas e revoadas de guarás Fora dos limites do parque, nos Pequenos Lençóis em Atins, os roteiros incluem peixada maranhense de robalo preparada em cabanas de pescadores com leite de coco, tomate e pimenta-de-cheiro. Nos igarapés do rio Preguiças, o cenário transita entre mangues do cerrado e da Amazônia, abrigando tucuxis, peixes-boi, garças e tartarugas.
O ápice do passeio ocorre ao pôr do sol com o avistamento de guarás. As aves sobrevoam o rio Preguiças em bandos, exibindo penas de vermelho intenso decorrentes da dieta rica em pequenos crustáceos pigmentados, tonalidade historicamente utilizada em mantos da realeza tupinambá.
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