O Construindo o Grande ABC reuniu empresários, lideranças setoriais e representantes do poder público nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, no Sítio São Jorge, em São Bernardo do Campo. Crédito, licenciamento e infraestrutura estiveram entre os temas abordados nas entrevistas realizadas durante a 13ª edição do congresso.
Promovido pela Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC (ACIGABC), o encontro aproximou as demandas das empresas das discussões sobre o desenvolvimento das cidades. O Portal VGV participou como parceiro de mídia.
As declarações reunidas nesta cobertura apontam oportunidades e obstáculos à produção imobiliária. Na avaliação dos entrevistados, transformar a demanda por moradia em empreendimentos depende das condições de financiamento, da previsibilidade das regras e da capacidade de executar os projetos.
O debate amplia a leitura regional apresentada pelo Portal VGV antes do Construindo o Grande ABC, com atenção às particularidades dos municípios e às condições para desenvolver novos produtos.
Crédito e produto no Construindo o Grande ABC
O presidente da ACIGABC, Júlio Diaz, destacou as dificuldades enfrentadas pela classe média para financiar a compra de imóveis e relacionou esse cenário ao maior direcionamento das empresas para produtos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida.
Na avaliação do dirigente, as condições de financiamento influenciam o planejamento das incorporadoras. Ao mesmo tempo, o ciclo prolongado de desenvolvimento limita a velocidade de adaptação: entre a formação de uma área, a aprovação e a entrega, as decisões das empresas atravessam diferentes momentos da economia.
Jorge Cury Neto, presidente do Secovi-SP, também apontou diferenças entre as condições de crédito oferecidas com recursos do FGTS e aquelas encontradas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Em sua análise, o Minha Casa, Minha Vida tem assumido um papel importante no atendimento de compradores elegíveis ao programa que encontram dificuldades para viabilizar o financiamento pelas linhas tradicionais.
Para as incorporadoras, a discussão aproxima o cenário financeiro da definição do produto. Preço, metragem e público precisam ser avaliados junto à capacidade de financiamento do comprador.
Licenciamento e regras urbanísticas entram na conta
A demora no licenciamento e a insegurança jurídica foram destacadas por Frederico Marcondes Cesar, vice-presidente do Interior do Secovi-SP, como obstáculos à produção imobiliária.
O dirigente ressaltou que a espera pelas aprovações pode consumir anos do desenvolvimento de um projeto. Também defendeu maior eficiência na gestão das empresas, considerando que o preço de venda precisa encontrar aceitação no mercado.
Do lado municipal, os prefeitos de São Bernardo do Campo e Santo André apresentaram a simplificação de processos e a atualização das regras urbanísticas como caminhos para atrair investimentos.
Marcelo Lima, prefeito de São Bernardo, relacionou mudanças no planejamento urbano à ampliação das possibilidades de desenvolvimento industrial, residencial e comercial. Segundo ele, a gestão busca dar mais agilidade à análise de projetos e ampliar o aproveitamento de áreas do município, inclusive além da Rodovia Anchieta.
Em Santo André, o prefeito Gilvan Júnior destacou a busca por regras mais claras para o planejamento dos empreendimentos e por maior rapidez nas respostas da administração pública. O gestor também associou o crescimento imobiliário à necessidade de preparar a infraestrutura da cidade para receber novos moradores.
As manifestações colocam o licenciamento como uma questão econômica para as incorporadoras. A previsibilidade dos processos ajuda a organizar o investimento, o cronograma e a entrada de novos produtos no mercado.
Habitação, infraestrutura e adaptação climática
O subsecretário de Desenvolvimento Urbano do Estado de São Paulo, José Police Neto, trouxe ao debate a relação entre produção habitacional, infraestrutura e adaptação às mudanças climáticas.
Em sua avaliação, acelerar a oferta de moradia para famílias de menor renda deve fazer parte da resposta à presença de populações em áreas sujeitas a deslizamentos e inundações. Esse esfuerzo precisa caminhar junto a investimentos em drenagem, saneamento e mobilidade.
Police Neto também defendeu regras municipais mais claras e processos que reduzam os custos de viabilização da habitação de interesse social. A industrialização da construção foi apresentada como uma possibilidade de ampliar a escala da produção e contribuir para a redução de custos.
O subsecretário incentivou ainda o uso de pesquisas e evidências pelo setor produtivo para embasar propostas de melhoria das legislações e demonstrar os efeitos dos empreendimentos sobre as cidades.
No Construindo o Grande ABC, a proximidade entre moradia, trabalho e serviços apareceu também na fala de Frederico Marcondes Cesar. O representante do Secovi-SP defendeu o adensamento associado ao aproveitamento da infraestrutura urbana e à redução dos deslocamentos cotidianos.
Planejamento empresarial e formação profissional
Milton Bigucci Júnior, presidente do Conselho Deliberativo da ACIGABC, ressaltou o papel do congresso na aproximação entre as necessidades das empresas e os desafios das administrações municipais.
Apesar das incertezas econômicas, o empresário sinalizou continuidade dos investimentos. Segundo ele, a MBigucci trabalha com a projeção de sete a oito lançamentos para 2027.
A expectativa é específica da companhia e deve ser entendida como planejamento empresarial, sem representar uma projeção para todo o mercado regional.
Bigucci também destacou a construção civil como porta de entrada para o mercado de trabalho, com possibilidades de qualificação e progressão profissional. A valorização das funções no canteiro foi outro ponto abordado em sua entrevista.
O que o Construindo o Grande ABC sinaliza para as incorporadoras
As entrevistas mostram como crédito, legislação e infraestrutura se encontram nas decisões sobre um empreendimento. A capacidade de financiamento interfere no público que pode comprar; as regras urbanísticas e o licenciamento influenciam o desenvolvimento; e a infraestrutura precisa acompanhar a ocupação das cidades.
Para as incorporadoras, acompanhar essa agenda significa avaliar seus efeitos sobre a escolha de terrenos, a viabilidade dos projetos e o planejamento dos próximos lançamentos.
O encontro também reforçou a importância do diálogo entre empresas e administrações públicas. As condições para ampliar a produção dependem de decisões de mercado e de gestão urbana, com particularidades que precisam ser examinadas em cada município.
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