CSN (CSNA3) dá passo importante para desalavancagem com venda de braço de cimentos

Csn (csna3) avança em venda de braço cimenteiro para gigante chinesa

Economia

A CSN (CSNA3) deu um passo decisivo em direção à sua desalavancagem financeira ao fechar, nesta sexta-feira (30), um acordo de exclusividade de dez dias com a empresa chinesa Huaxin. O entendimento prevê a comercialização da CSN Cimentos por um valor de empresa (EV) de R$ 12,7 bilhões, com a expectativa de que os contratos definitivos sejam firmados muito em breve.

A transação implica um múltiplo EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) de 7,0 a 7,5 vezes, comparado ao patamar de 4,5 a 5,0 vezes da própria CSN. Diante disso, analistas do mercado financeiro receberam a novidade com bastante otimismo, apontando alívio imediato para a estrutura de capital e o balanço da organização brasileira.

Impacto na dívida e alavancagem Segundo cálculos da XP Investimentos, a movimentação financeira tem o condão de encolher a dívida líquida da CSN de R$ 42,1 bilhões para R$ 29,4 bilhões. Descontando a contribuição de R$ 1,6 bilhão da CSN Cimentos obtida nos últimos 12 meses, a alavancagem consolidada desabaria de cerca de 3,5 vezes para 2,8 vezes — uma retração expressiva de aproximadamente 0,7 ponto percentual.

Para a equipe da XP, o avanço mitiga os receios de curto prazo ligados à tese de investimento, fortalecendo a execução dos planos de desinvestimento do grupo. O Bradesco BBI endossa a leitura, calculando que a venda possui potencial para diminuir as despesas anuais com juros em quase R$ 1,5 bilhão. Dessa forma, a companhia ganha fôlego para entrar em 2027 com maior margem de manobra.

Visão de JPMorgan e Citi No mesmo diapasão, o JPMorgan classificou a notícia como altamente favorável, destacando que a divisão de cimento constitui o pilar central do programa de desalavancagem. O banco aponta que o montante obtido viabiliza a quitação de um empréstimo-ponte de aproximadamente R$ 6 bilhões. O múltiplo implícito fica em torno de 7,7 vezes conforme as estimativas para 2026, e 6,8 vezes nas projeções para 2028, abaixo do múltiplo justo de 8 vezes estipulado em seu modelo.

O Citi corroborou a avaliação positiva, ressaltando o suporte ao processo de redução de endividamento. Contudo, analistas ponderam que, considerando o ambiente de juros elevados no país e as revisões descendentes nas estimativas da CSN Mineração (CMIN3), a corporação precisará persistir na busca por novas alternativas para enxugar o seu balanço.

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