O 219º episódio do podcast 451 MHz recebeu a professora de políticas urbanas Bianca Tavolari e o professor de direito Conrado Hübner Mendes para debater o cenário político brasileiro após a reeleição do presidente Lula para o quarto mandato. Viabilizada com o apoio da Lei Rouanet, a edição analisa os desdobramentos da disputa eleitoral, as armadilhas do golpismo e o engajamento democrático dos mais jovens.
Bianca Tavolari, docente da Fundação Getulio Vargas e pesquisadora do Cebrap, e Conrado Hübner Mendes, professor da USP e cofundador do LAUT, apontam que o pleito recente evidenciou a força da mobilização popular.
A força das ruas e a mobilização urbana
Para Tavolari, a retomada das manifestações de rua após o segundo turno, impulsionada por movimentos estudantis e fandoms, estimulou a articulação política nas redes sociais e no cotidiano. “A primeira coisa que a rua mostra é que é muito importante você se sentir parte de um grupo e ver que the pessoas que pensam como você, ou querem um projeto de país próximo do seu, são muitas.”
A especialista também destacou os relatos de restrições ao transporte público no dia da eleição (25) em capitais como Salvador e São Paulo, o que classificou como uma tentativa de obstaculizar o direito ao voto. Diante disso, ela defende que o novo governo adote medidas ousadas, a exemplo do passe livre nos fins de semana em todo o país.
O papel das instituições e do Judiciário
Ao analisar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Hübner Mendes avalia que o julgamento sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 é juridicamente incontestável, mas alerta para a fragilização das cortes.
“A gente entra neste novo cenário, pós-eleições, com essas cortes absolutamente fraturadas”, afirma. “Se o Flávio [Bolsonaro] tivesse ganho, essa corte [STF] estaria, na minha opinião, absolutamente capturada e incapaz de fazer qualquer coisa.” Para o acadêmico, o governo precisa negociar com mais habilidade no Congresso para viabilizar transformações gerais no Judiciário.
Diálogo geracional e liberdade acadêmica
O episódio também aborda a aproximação entre diferentes gerações na defesa da democracia, incluindo a articulação entre jovens e idosos. “Teve uma coisa de polos geracionais se encontrando para dizer: ‘precisa de todo mundo!’”, pontua Tavolari.
Hübner Mendes ressalta ainda a relevância da liberdade acadêmica e a necessidade de combater discursos que associam universidades à militância partidária. “A censura tem um mecanismo sutil, que é incentivar o medo — e o medo silencia”, conclui o professor, frisando que o combate ao autoritarismo requer vigilância sobre estruturas institucionais e sociais.
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