Em meio a guerra dos supertênis, Adidas busca 'volta da vitória' em NY

Adidas aposta na Maratona de Nova York para coroar ano de ouro

Esportes

A Adidas espera que a Maratona de Nova York, neste fim de semana, seja a oportunidade para uma “volta da vitória”, após corredores que utilizam seus calçados conquistarem oito vitórias nas prestigiadas World Marathon Majors (as principais maratonas do mundo) este ano —impulsionando as vendas e superando sua rival de longa data, a Nike.

A receita da divisão de corrida cresceu 19% no terceiro trimestre, período em que a companhia registrou resultados recordes, conforme divulgado na quinta-feira.

As conquistas chegaram em um momento oportuno, marcado por uma era de ouro das maratonas. O mercado registra recordes de participação, unindo atletas de elite a corredores amadores dispostos a gastar centenas de dólares em calçados que prometem um desempenho superior.

A alta procura levou a organização da Maratona de Londres —uma das sete World Marathon Majors, após a inclusão de Sydney às seis provas originais, em 2025— a anunciar a divisão de sua prova em dois dias. No evento nova-iorquino, a expectativa é de lotação máxima após cerca de 250 mil inscrições.

“A corrida como indústria está vivendo uma espécie de momento de glória”, disse Patrick Nava, gerente-geral da Adidas Running.

Neste domingo (1º), a Adidas aposta no queniano Benson Kipruto para conquistar mais uma vitória, enquanto ele defende seu título na Maratona de Nova York. Kipruto contou que foi contratado pela Adidas logo após conquistar o segundo lugar em sua estreia na distância, em Atenas, há 10 anos. Desde então, ele acumulou grandes títulos, incluindo vitórias em Chicago (2022) e Tóquio (2024), além de ter conquistado a medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris.

“Contratamos atletas muito bons”, disse o CEO da Adidas, Bjorn Gulden. “E, para ser sincero, acho que temos os melhores produtos.”

Segundo analistas, as vitórias recorrentes dão aval e autoridade para a fabricante alemã no setor esportivo. O avanço é fruto de planejamento estratégico de longo prazo focado em inovação e competitividade.

“Todo mundo pode falar de inovação, mas há uma maneira muito simples de medi-la: o quanto você vence”, disse Nava.

A empresa estruturou um time com mais de 100 profissionais dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de novos calçados de corrida. O ecossistema da marca também mapeia talentos nas categorias de base com o suporte de treinadores e especialistas.

Domínio inicial da Nike

A Nike deu início à corrida dos “supertênis” em 2017, com o Zoom Vaporfly Elite, que impulsionou o grande corredor queniano e bicampeão olímpico Eliud Kipchoge em sua primeira tentativa de romper a barreira das duas horas na maratona.

Em 2019, o cenário era de hegemonia absoluta da Nike, gerando debates sobre vantagens competitivas. Naquele ano, atletas patrocinados pela marca levaram 10 das 12 medalhas de ouro nas seis principais maratonas do mundo.

A resposta da Adidas veio em 2020 com seu primeiro modelo em placa de carbono, mas a virada ocorreu três anos depois, com a reformulação dos processos de criação.

“O tempo médio de desenvolvimento do que vou chamar de um tênis de corrida normal varia de 18 a 24 meses”, disse Nava. Em comparação, o trabalho principal para a moderna linha de elite “Evo” da marca levou nove meses.

“Quando achamos que temos um modelo bom, bom o suficiente para nos agradar, nós o lançamos e deixamos que os atletas o utilizem”, disse. “Neste momento, eles estão usando o Evo 3. Já estamos trabalhando em algumas das próximas versões. É um processo contínuo de ‘testar, aprimorar, redesenvolver’ e depois ‘testar novamente, redefinir, redesenvolver’.”

“Um ritmo que ninguém jamais viu”

A concorrente americana reconhece que o mercado mudou de patamar. “Há mais investimentos nessa área, e até mesmo o custo de competir nesse segmento continua aumentando”, disse Tanya Hvizdak, vice-presidente e gerente-geral global de corrida da Nike.

A companhia passa por um processo de reestruturação com cortes de pessoal e revisão de divisões comerciais após projeções de baixa na receita anual. Ainda assim, a divisão de corrida mantém fôlego com seis trimestres seguidos de alta de dois dígitos, além da expansão em categorias de amortecimento máximo.

Resultados expressivos em provas como a Maratona de Chicago, onde atletas da marca dominaram o pódio, seguem como pilares de sustentação.

“Vocês nos verão inovar em um ritmo que ninguém viu nos anos anteriores”, disse Hvizdak. “E isso será algo implacável, com o qual estamos muito entusiasmados. E nossos atletas estão liderando esse processo para nós.”

Enquanto marcas como On, Asics e Under Armour também tentam espaço, a liderança na modalidade exige resultados práticos nas pistas, explica a gestão da Adidas.

“Você não tem necessariamente os grandes astros que existem no futebol”, afirmou Nava.

“Você sabe, se coloca algo em um (Lionel) Messi ou em um Lamine Yamal, isso terá impacto imediato, certo? A corrida é um pouco diferente, no sentido de que você precisa disso para ter credibilidade, porque pode dizer: ‘Ei, posso afirmar objetivamente que temos alguns dos melhores tênis do setor’.”

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