Tribunal decide que Rússia pode disputar Mundial de hóquei no gelo

Tribunal derruba banimento e libera Rússia no hóquei no gelo

Esportes

As seleções da Rússia obtiveram sinal verde do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) nesta sexta-feira (30) para retornar aos campeonatos mundiais de hóquei no gelo masculino e feminino do próximo ano, derrubando assim as resoluções da Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) que barravam as equipes de participarem de seus torneios.

O tribunal aceitou os recursos interpostos pela Federação Russa de Hóquei no Gelo contra o veto aplicado pela IIHF que impedia a presença de seus times em disputas válidas pela temporada 2026/27.

Com sede em Lausanne, o órgão arbitral justificou que a IIHF falhou ao não apresentar evidências consistentes que fundamentassem a tese de que o risco à segurança exigia a manutenção da Rússia longe de suas competições.

O Campeonato Mundial Júnior, programado para começar em 26 de dezembro no Canadá, será o primeiro evento impactado por essa reversão. Na sequência, a liberação abrangerá os mundiais principais de categorias masculina e feminina agendados para o próximo ano.

O CAS pontuou que o julgamento não entrou no mérito de estipular se os times russos vão atuar sob bandeira neutra e sem os emblemas do país, formato adotado por atletas do território em diversas outras modalidades esportivas.

Repercussão da decisão

Banida das principais disputas internacionais da modalidade desde 2022 devido ao conflito na Ucrânia — país pelo qual acumulou cinco taças mundiais na condição de nação autônoma —, a Rússia celebrou a reviravolta jurídica.

“A Rússia está voltando ao hóquei mundial. Esse lugar nos pertence por direito, e a discriminação no hóquei chegou ao fim”, disse o ministro dos Esportes, Mikhail Degtyarev, ao canal estatal de televisão Vesti.

Em contrapartida, a IIHF manifestou frustração com o desfecho do caso.

“A IIHF discorda desse aspecto da decisão e sustenta que suas medidas eram necessárias para proteger a segurança de todos os participantes e preservar a integridade de suas competições”, declarou a federação.

Reações na Europa

A Alemanha, país que receberá o Mundial masculino no mês de maio, avaliou que o veredito trará impactos profundos para a competição.

“Nossa posição permanece inalterada: rejeitamos o retorno das seleções russas aos torneios internacionais de hóquei no gelo”, disse Frank H. Lutz, presidente da Federação Alemã de Hóquei no Gelo.

Por sua vez, a Associação Tcheca de Hóquei no Gelo — cuja sede acolherá o Mundial feminino sub-18 em janeiro — classificou a resolução como uma surpresa bastante desagradável.

“A atual posição do hóquei tcheco não muda com a decisão do CAS”, disse Jan Cerny, secretário-geral da entidade.

Na mesma linha, nações europeias como Suécia, Finlândia e Áustria também expressaram forte oposição ao veredito.

“Nossa posição é que a Rússia não pode participar de campeonatos internacionais na situação atual”, disse Anders Larsson, presidente da Associação Sueca de Hóquei no Gelo.

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