Flávio Bolsonaro votou a favor do fim da 6x1 em 'manobra eleitoreira', diz Erika Hilton

Erika Hilton critica voto de Flávio Bolsonaro pelo fim da 6×1

Política

O Senado aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala de trabalho 6×1, modelo em que o profissional cumpre seis dias de atividade para um dia de folga. A chancela histórica representa um trunfo político para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a apenas 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, mas gerou forte reação contra o posicionamento do adversário na disputa.

Acusações de oportunismo e ausência no plenário

Autora de uma PEC sobre a jornada de trabalho que acabou tramitando em conjunto com o texto aprovado, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) rebateu o apoio dado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a parlamentar, a atitude do postulante ao Planalto reflete conveniência eleitoral.

“Ele não pisou no plenário do Senado, foi o último a dar presença, ele mudou de opinião em uma manobra eleitoreira. Ele e os aliados deles são os responsáveis por nos demorarmos tanto tempo para aprovar essa matéria. Trabalharam dia e noite para que essa conquista demorasse. Isso é cinismo”, declarou Erika.

Participação remota e promessa a empresários

O placar no plenário registrou 75 votos favoráveis e somente um contrário, vindo do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), superando amplamente o mínimo exigido de 49 apoios entre os 81 membros da Casa. A análise em segundo turno terminou por volta das 22h.

Flávio Bolsonaro não esteve fisicamente em Brasília para a deliberação. O parlamentar marcou presença por volta de 20h30 e optou por votar à distância, modalidade autorizada pelo sistema semipresencial adotado na ocasião. O candidato esteve em Porto Alegre para cumprir agenda comício no centro histórico, evento no qual não tratou da redução de jornada, tema que também não repercutiu em seus canais digitais ao longo do dia.

Apesar de registrar voto favorável, interlocutores apontam que o candidato do PL garantiu a representantes do empresariado e a membros da sua base que fará alterações no texto se assumir o Poder Executivo.

Receio de reversão e impacto histórico

Erika Hilton alertou que a eventual vitória do senador coloca em risco as mudanças estabelecidas pela PEC, lembrando que a coordenação de campanha de Flávio, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), defende alternativas que atrelam a remuneração estritamente às horas trabalhadas.

“Se ele [Flávio] se tornar presidente do Brasil a escala 6×1 vai voltar, porque o que o Flávio Bolsonaro defende é a PEC das horas trabalhadas com a desculpa de que o trabalhador vai negociar com o patrão. Se ele virar presidente do Brasil, no dia seguinte, volta a escala 6×1”, afirmou Erika Hilton.

Para a deputada, a eliminação da escala 6×1 representa a transformação trabalhista mais expressiva desde a implementação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na era Getúlio Vargas. Com a conclusão das etapas legislativas no Congresso Nacional, a medida agora segue para promulgação.

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