Centrão faz acordo para votar mudança do sistema eleitoral em novembro, contra efeito Nikolas

Centrão articula reforma política para frear avanço do PL

Política

Em um movimento para conter o crescimento de legendas de direita e resguardar seu próprio espaço no Congresso Nacional, uma aliança de dez partidos do centrão selou um acordo para pautar uma reforma do sistema eleitoral na primeira semana de novembro. A meta dos parlamentares é aprovar a mudança antes da posse dos deputados eleitos para a próxima legislatura.

O impacto dos puxadores de votos e o encolhimento do centro

A reação do bloco é motivada principalmente pelo desempenho de nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). Ao ultrapassarem a marca de três milhões de votos individuais cada um, os dois parlamentares funcionaram como fortes puxadores no sistema proporcional de lista aberta em vigor. A votação expressiva do mineiro garantiu outras 13 cadeiras ao PL, enquanto o candidato paulista levou mais sete correligionários para a Câmara dos Deputados.

Esse fenômeno fez o PL saltar de 99 para 121 parlamentares, consolidando a maior bancada registrada na Casa desde 1990. Em contrapartida, o centrão amargou a perda de mais de 20 vagas. A federação União Brasil-PP, principal força do agrupamento, caiu de 97 para 87 assentos. Ao todo, os dez partidos envolvidos na articulação verão sua representação diminuir de 271 para 252 votos — patamar inferior à maioria simples de 257 deputados.

Diante do diagnóstico de que a distribuição de emendas e cargos não foi suficiente para frear essa onda nas urnas, lideranças partidárias se reuniram na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No encontro, as legendas formalizaram apoio à reeleição de Motta e debateram a urgência de uma nova regra legislativa. O presidente da Casa declarou que as forças de centro precisam compreender maneiras de sobreviver na “selva política” após o avanço da direita.

Divisão sobre o novo modelo: distritão ou distrital misto

Apesar do consenso sobre a pressa para aprovar o texto, o grupo ainda diverge a respeito do formato a ser implementado. Uma nova rodada de negociações foi agendada para o dia 28 com o objetivo de buscar um alinhamento. Participam dessa frente dirigentes e bancadas de Republicanos, PSD, MDB, Podemos, além das federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade.

As duas propostas em debate

Entre as alternativas sobre a mesa estão:

Distritão: Nesse formato, simplesmente os candidatos mais votados em cada estado são eleitos, ignorando o cálculo partidário global. A proposta enfrenta forte resistência do PT e de parlamentares de menor densidade eleitoral. Além disso, por exigir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), precisa de ao menos 308 votos favoráveis — modelo que já foi rejeitado pelo plenário em 2015.

Distrital misto: Defendida por alas como a bancada do PSD, essa fórmula divide as cadeiras: metade é preenchida por votação proporcional estadual e a outra metade por disputa majoritária em distritos locais. A viabilidade agrada por depender de um projeto de lei ordinário, já articulado pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE). Críticos internos, porém, temem que os governadores ganhem poder excessivo sobre os pleitos e apontam o risco de criação de currais eleitorais.

Nas próximas semanas, o bloco tentará construir uma maioria interna e atrair siglas do campo da esquerda e centro-esquerda para aprovar a reformulação legislativa antes da virada do ano legislativo.

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