Jornalista brasileiro é impedido de entrar na Argentina por problemas no visto após criticar Milei

Jornalista brasileiro é barrado na Argentina e banido por 5 anos

Mundo

Ao desembarcar no Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., de 50 anos, foi surpreendido com a notícia de que sua autorização de residência permanente havia sido cancelada. Além de ser impedido de pisar em solo argentino na última segunda-feira (12), ele recebeu uma sanção que o proíbe de retornar ao país vizinho pelo período de cinco anos. O profissional sustenta que a medida possui motivação política, embora o órgão regulador aponte infrações administrativas.

Projetos interrompidos e alegação de perseguição política

A determinação das autoridades migratórias paralisou imediatamente a rotina do comunicador, que viajava anualmente à Argentina desde 2011 e detinha o visto permanente desde janeiro de 2022. Com a proibição, Tomaz teve de suspender a conclusão de um curso de mestrado em Mendoza, a cobertura das eleições presidenciais do próximo ano e os retoques finais de uma obra literária focada na gestão de Javier Milei.

A relação com o país vizinho já durava mais de uma década e meia. “Eu já estudava a história da Argentina”, relata ele sobre sua primeira visita. “Na época, foi como se eu estivesse voltando para um lugar que já conhecia.”

Durante esse período, além de construir laços de amizade e presenciar momentos marcantes, como a conquista da Copa do Mundo de 2022 pela seleção local, o jornalista — que também trabalha na assessoria do deputado federal Alencar Santana (PT-SP) — acompanhou de perto a evolução eleitoral da extrema direita no país.

A polêmica nas redes e a reação governista

Para o jornalista, a origem da retaliação remonta a 22 de julho, data em que publicou um vídeo comentando a rejeição internacional à seleção argentina e apontando “uma onda de ódio aos brasileiros”. Na publicação, ele declarou: “Aqueles argentinos que estão atacando os brasileiros (…) são os mesmos que são contrários ao ensino público”.

A gravação viralizou e provocou reações imediatas da base de apoio de Milei, incluindo o deputado Juan I. Fernandez, membros do canal Carajo Stream e Juan Doe, diretor de comunicação da Presidência argentina.

“Eu critico o Milei desde antes de ele ser deputado”, explica Tomaz. “Mas nunca tinham se importado comigo.”

A situação escalou nas semanas seguintes. Conforme relata o brasileiro, agentes estatais foram averiguar seu paradeiro no início de agosto. “Claramente não iriam atrás de um brasileiro específico, que coincidentemente é um jornalista que critica o Milei. Dois ou três dias depois disso, assinaram a revogação do meu visto.”

A anulação formal ocorreu no dia 5 de agosto, mas Tomaz afirma não ter sido informado previamente: “Não me notificaram. Eu cheguei e tive essa surpresa”.

Justificativa oficial e mudanças na legislação migratória

De acordo com a Direção Nacional de Migrações, a revogação se deu porque Tomaz violou a norma que cancela a residência permanente de quem permanece fora do território nacional por 12 meses ou mais, além de não apresentar vínculo profissional verificável no país.

A exclusão por cinco anos decorre de um ajuste promovido por Javier Milei em 2025 na Lei de Migrações, que ampliou sanções para infrações administrativas não criminais. O chefe do Executivo argentino também endureceu regras para vetar estrangeiros associados a supostas manifestações hostis aos símbolos e cidadãos locais, embora esse dispositivo específico não tenha sido citado como fundamentação formal no caso do brasileiro.

“Essa guinada autoritária dele, usando nacionalismo, não tava na pauta dele”, avalia o jornalista. “Ele incorporou isso para compensar a falta de argumentação na defesa da economia.”

Enquanto Tomaz prepara um recurso judicial contra o veto, integrantes da administração comemoraram o desfecho publicamente. Na rede social X, o diretor da Oficina de Resposta Presidencial, Juan Carreira, escreveu: “Não só você não vai poder continuar depredando nossos recursos, como também vai ter que viver quatro anos no Brasil de Flávio Bolsonaro sendo esquerdista. Que felicidade. Um esquerdista a menos na Argentina. Hoje é dia de comemorar.”

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