Shoppings preveem aumento de custos e disputa por comissões com fim da escala 6x1

Fim da escala 6×1 eleva custos e preocupa lojistas de shopping

Mercados

A possível extinção da jornada de trabalho 6×1 gerou apreensão generalizada no mercado de shopping centers do Brasil, setor que movimenta cerca de R$ 200,9 bilhões por ano. Representantes do segmento apontam que a medida deve acarretar um expressivo salto nas despesas operacionais dos lojistas, além de desencadear uma acirrada concorrência interna entre os vendedores na disputa por comissões.

Impacto direto nos pequenos comerciantes

Embora a proposta afete estabelecimentos de diversos portes, o maior peso da mudança recairá sobre os pequenos negócios, que contam com equipes enxutas, normalmente entre dois e cinco colaboradores. De acordo com lideranças do segmento, a contratação obrigatória de pessoal extra para cobrir a escala pode inviabilizar financeiramente muitos empreendimentos.

O presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), Glauco Humai, detalha essa fragilidade operacional: “Uma loja ou uma indústria com centenas de funcionários tem uma dinâmica de escala que permite gerenciar [o impacto da mudança] e sofrer pouco no seu custo final com o trabalhador. Mas no caso dos shoppings, quase 60% dos lojistas são pequenos, com três a cinco funcionários”.

Humai complementa que a equação financeira pode se tornar insustentável para esses empresários: “Para mudar a escala, ele terá que contratar um ou dois funcionários a mais. Com o encargo trabalhista que a gente tem hoje, isso vai impactar o resultado dele em 30% a 40%, o que praticamente inviabiliza o negócio”.

Projeções apontam queda na receita e cortes de vagas

Um levantamento da Tendências Consultoria realizado a pedido do setor estima que a receita bruta anual dos centros comerciais pode encolher para R$ 186,2 bilhões no primeiro ano após a entrada em vigor da emenda constitucional. Ao término de 2025, o segmento operava com 124.791 pontos comerciais e gerava quase 1,1 milhão de postos de trabalho formais diretos.

Com a nova exigência, o estudo prevê que o total de empregados possa recuar para aproximadamente 950 mil trabalhadores — uma redução líquida de cerca de 150

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