O livro “Apague Aquela Pessoa da Sua Mente”, escrito pelo neurocirurgião japonês Michihito Sugawara, aborda repetidamente a necessidade de esquecer alguém, seja um ex-parceiro, um familiar ou um colega de trabalho. Com orientações diretas, a obra ensina o leitor a lidar com indivíduos excessivamente presentes no cérebro.
O autor explica a atuação da amígdala cerebral para dificultar esse processo e menciona sintomas físicos relacionados à presença indesejada do outro. Pacientes relatam quadros de insônia, febre e dores de cabeça nos dias de interação com o objeto de trauma. A amígdala exerce duas funções principais nesse cenário: o comando das emoções, focando na detecção de perigos e no controle de respostas como medo, ansiedade e fuga, e a fixação de memórias de forte impacto afetivo ou traumático.
Dicas para esquecer alguém que faz mal
#### 1. Reconheça o poder do outro O primeiro passo é decifrar o poder do outro sobre você, admitindo que a pessoa realmente incomoda e tem capacidade de desequilibrar. Tentar ignorar a influência alheia sinaliza uma ameaça ao cérebro, prolongando a ruminação. A alternativa recomendada é definir horários específicos, com o uso de cronômetros, para dedicar alguns minutos a pensar no problema, reduzindo a energia gasta ao longo do dia.
#### 2. Tente se distrair Iniciar um novo hobby, ler um livro, estudar um idioma ou praticar um exercício físico ajuda a ocupar o cérebro de forma natural, diminuindo o espaço dedicado aos pensamentos negativos.
#### 3. Questione os sinais Nem sempre as interpretações da amígdala sobre um risco são verdadeiras. Em uma crítica profissional, por exemplo, o erro pode ser apenas uma falha de interpretação. Conversar com a pessoa para entender a razão do comentário pode revelar que a situação não era o que parecia.
#### 4. Saúde e bem-estar A atividade física oxigena o cérebro e libera hormônios como a endorfina, que age como analgésico natural para dores neuropsíquicas, e a serotonina, que regula humor, sono e ansiedade. O autor também destaca a importância de praticar a higiene do sono, meditar e manter uma alimentação rica em alimentos frescos e naturais.
#### 5. Terapia e remédios A terapia auxilia no autoconhecimento e no ajuste de comportamentos para evitar gatilhos. Já os medicamentos são indicados por médicos para quadros em que o paciente não nota resultados com mudanças comportamentais, especialmente em patologias como depressão e ansiedade.
A visão da psicanálise sobre o amor romântico
A psicanalista Regina Navarro Lins aponta que a dificuldade de esquecer um parceiro está ligada à cultura ocidental. “Nós fomos ensinados, desde a constituição do amor romântico, na revolução industrial, de que não estar acompanhado é o mesmo que fracassar. E reproduzimos isso. Daí decorre a dificuldade para esquecer alguém e a explicação para, em alguns casos, submeter-mo-nos a relações que são prejudiciais”, declara. Ela acrescenta: “Você tem que elaborar um luto, vivenciar a tristeza e pegar energia novamente, voltar para você. Na nossa cultura nós amamos estar amando, e não a pessoa em si. Entender isso é fundamental.”
A psicanalista Carol Tilkian reforça a importância de vivenciar o luto após o término. “Quando você encontra alguém, deposita sobre a pessoa toda a idealização que tem de um relacionamento. Toda energia é direcionada para a relação. Quando termina, essa energia fica sem destino. Isso causa um desconforto. Freud defende que o luto é um trabalho, mas é também a forma possível de interagir com a sua dor e começar a perceber o que de fato te incomoda”, pontua. “Muitas vezes, para não lidar com essas perdas, a gente segue pensando no outro. É uma forma evitar pensar no vazio, na solidão”, complementa.
Ao fim de um ciclo, Tilkian sugere ponderar perdas e ganhos. “Estar bem resolvido com o fim e não pensar mais na pessoa é da ordem do impossível. Esperar esquecer para sempre, idem. O importante não é tirar essa pessoa do pensamento, mas tirá-la do centro da sala.”
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