ASML diz que demanda por IA excederá até 2028 a capacidade das máquinas para fabricar chips

Boom da IA faz fila por máquinas de chips da ASML chegar a 2030

Tecnologia

A corrida global pelo avanço da inteligência artificial gerou uma procura sem precedentes pelos maquinários de litografia da ASML. A fabricante holandesa confirmou que a demanda de seus clientes já ultrapassa a capacidade de entrega estipulada para o próximo ano e se estende até 2028, desencadeando temores de um novo desabastecimento no mercado de semicondutores.

Gargalo na cadeia global de tecnologia

Diante da rápida expansão de data centers voltados para IA, grandes fabricantes de semicondutores como Samsung, Intel e TSMC — responsável pela produção dos chips da Nvidia — têm realizado investimentos expressivos para ampliar suas linhas fabris. Essa movimentação levou compradores a iniciarem conversas para garantir encomendas para além de 2027, com negociações preliminares que alcançam reservas para 2029 e até 2030.

Para mitigar as limitações, a empresa havia anunciado um plano de elevar a produção em 30% no ano de 2027 e em outros 30% em 2028. No entanto, o presidente-executivo Christophe Fouquet afirmou que o acréscimo não será suficiente para suprir a sede do mercado. Fouquet disse que a empresa está observando agora “um grande volume de pedidos para 2028. Mas também um forte interesse em já fazer pedidos para 2029 e, às vezes, até mesmo para 2030”.

Estratégias de expansão e reajuste de preços

Diante da pressão temporal, a companhia deu início a uma expressiva ampliação de sua infraestrutura em Eindhoven, na Holanda, cuja etapa inicial deve ficar pronta apenas em 2029. Até lá, a organização precisará adotar medidas intermediárias para maximizar o rendimento das operações atuais.

De acordo com o executivo Dassen, a saída imediata inclui a modernização das ferramentas já em funcionamento e o fornecimento de versões aprimoradas de seus maquinários, desenvolvidas para oferecer maior produtividade. Em conjunto, essas medidas proporcionariam “um aumento significativo na capacidade de nossos clientes”, afirmou o executivo, observando que a empresa aumentará os preços a partir de 2027, com o efeito total visível a partir de 2028.

Desempenho financeiro e metas revistas

O forte fluxo de solicitações sustentou a revisão positiva das expectativas orçamentárias da companhia. A projeção de faturamento para o quarto trimestre agora se situa entre 14,2 bilhões e 15,2 bilhões de euros (entre R$ 79,82 bilhões e R$ 85,44 bilhões), superando as estimativas do mercado e prevendo uma margem bruta de aproximadamente 57%.

Com essa melhora, o faturamento estimado para o ano consolidado passou para o intervalo de 44 bilhões de euros a 45 bilhões de euros (entre R$ 247,33 bilhões e R$ 252,95 bilhões). No terceiro trimestre, a corporação reportou um lucro líquido de 4,96 bilhões de euros (R$ 27,88 bilhões), sobre uma receita de 11,7 bilhões de euros (R$ 65,77 bilhões).

Avaliada em cerca de 586 bilhões de euros em valor de mercado, a empresa viu suas ações avançarem quase 3% na bolsa de Amsterdã após o anúncio, acumulando uma expressiva valorização de quase 70% ao longo do ano.

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