O campo brasileiro caminha para consolidar uma nova marca histórica. A colheita nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar o patamar recorde de 354,5 milhões de toneladas. O volume calculado representa um avanço de 2,4% em comparação com o resultado obtido na safra anterior, correspondendo a um incremento de 8,4 milhões de toneladas. No comparativo mensal frente a agosto, a projeção registrou acréscimo de 1.566.233 toneladas, uma alta de 0,4%.
A área total a ser colhida no território nacional foi calculada em 83,2 milhões de hectares, apontando uma expansão de 2,0% (1,6 milhão de hectares adicionais) sobre o ciclo anterior. Em relação à estimativa do mês precedente, o espaço destinado ao cultivo cresceu 143.672 hectares (0,2%). Soja, milho e arroz mantêm a hegemonia no agronegócio, respondendo juntos por 93,0% do volume físico produzido e por 87,3% da extensão territorial cultivada.
Soja e milho sustentam novo topo histórico de produção
A cultura da soja em grão estabeleceu um novo recorde na série histórica, alcançando uma estimativa de 175,0 milhões de toneladas, patamar 5,4% maior do que o ciclo anterior e com expansão de 1,3% em sua área. O resultado foi impulsionado pelo clima favorável e pela recuperação das lavouras no Sul, onde o Rio Grande do Sul contabilizou um salto de 36,0%. O Mato Grosso permaneceu como o líder isolado da oleaginosa, prevendo 50,7 milhões de toneladas (alta de 1,0%), seguido por expansão de 19,7% no Mato Grosso do Sul, ao passo que Goiás registrou retração de 2,7% por conta de estiagens pontuais.
O milho em grão também renovou sua máxima histórica com 143,3 milhões de toneladas, alta de 1,1% tanto na comparação anual quanto na mensal. A primeira safra do cereal somou 29,7 milhões de toneladas, salto expressivo de 15,5% sobre o ano passado decorrente da recuperação das lavouras sulistas. Já a segunda safra foi estimada em 113,6 milhões de toneladas, registrando avanço mensal de 1,4%, mas com declínio anual de 2,0% devido a veranicos em Goiás. Em contrapartida, o arroz em casca recuou 11,4%, somando 11,2 milhões de toneladas após uma redução de 12,6% na sua área de cultivo.
Desempenho de café, cana-de-açúcar, algodão e outros cultivos
O levantamento revelou expansões expressivas em culturas industriais e perenes:
- Café em grão: A produção total atingiu o ápice histórico com 4,1 milhões de toneladas (68,0 milhões de sacas de 60 kg), elevação de 18,1% frente à safra anterior e de 3,0% ante agosto. O café arábica respondeu por 2,8 milhões de toneladas (46,3 milhões de sacas), alta impulsionada pelo rendimento agrícola em Minas Gerais, enquanto o canephora alcançou 1,3 milhão de toneladas (21,7 milhões de sacas), beneficiado pelo avanço de área no Espírito Santo.
- Cana-de-açúcar: A estimativa chegou a 738,7 milhões de toneladas, um incremento mensal de 4,8%, com destaque para os ganhos de produtividade em São Paulo (381,0 milhões de toneladas) e no Paraná.
- Algodão herbáceo: Projetado em 9,5 milhões de toneladas em caroço, o algodão cresceu 3,0% sobre o mês anterior em função de ganhos climáticos na colheita mato-grossense, embora ainda apresente queda de 3,9% frente ao ano anterior.
- Sorgo: Apresentou alta expressiva de 11,0% na comparação anual, somando 6,0 milhões de toneladas e avançando 26,9% em área cultivada.
- Uva: A colheita alcançou 2,3 milhões de toneladas, avanço anual de 3,4%, tendo a Região Sul à frente do mercado com 1,2 milhão de toneladas.
Culturas com retração nas estimativas
Em sentido contrário, algumas lavouras enfrentaram quebras severas. O trigo despencou 24,0% frente ao período anterior e 6,2% no mês, totalizando 5,9 milhões de toneladas em decorrência da desmotivação de agricultores diante de adversidades climáticas sucessivas e baixa rentabilidade no Sul. O feijão teve redução anual de 6,6% em seu volume, enquanto o tomate recuou 8,0% (4,4 milhões de toneladas), castigado pelos altos custos produtivos. A colheita de laranja encolheu 5,5% no ano, alcançando 14,8 milhões de toneladas (363,3 milhões de caixas de 40,8 kg) diante da perda de rendimento nos pomares paulistas.
Centro-Oeste domina mais da metade da produção agrícola do país
No mapa da produção brasileira, o Centro-Oeste assegurou a hegemonia ao concentrar 178,6 milhões de toneladas, o que representa 50,4% de toda a safra nacional. O Sul aparece na sequência com 86,3 milhões de toneladas (25,9%), seguido por Sudeste com 31,1 milhões (8,8%), Nordeste com 27,7 milhões (8,6%) e Norte com 22,3 milhões de toneladas (6,3%). Todas as cinco macrorregiões exibiram crescimento em relação ao período produtivo anterior, encabeçadas pelo avanço de 9,6% no Nordeste e de 6,2% no Sul.
Entre as Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera amplamente a atividade agrícola com 32,2% de participação nacional. Completam o grupo dos maiores produtores o Paraná (13,3%), Rio Grande do Sul (10,4%), Goiás (9,5%), Mato Grosso do Sul (8,5%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, esses seis estados respondem por 79,4% de todo o volume de cereais, leguminosas e oleaginosas colhido no Brasil.
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