Brasileiro está mais aberto a compras com IA, mas segurança ainda preocupa, diz pesquisa

Uso de inteligência artificial em compras avança no Brasil

Tecnologia

O hábito de delegar escolhas e transações comerciais a assistentes inteligentes cresce em ritmo acelerado no mercado nacional. Uma fatia expressiva de 72% dos consumidores no Brasil já utiliza ou planeja utilizar ferramentas de inteligência artificial para intermediar compras no período de um ano. O número marca um salto expressivo frente aos 39% registrados no ano anterior, conforme levantamento produzido pela Global Payments.

Brasil assume liderança ocidental no comércio agêntico

A resistência ao formato também despencou no país. A taxa de consumidores que descartavam totalmente a aquisição de mercadorias via IA desabou de 27% para 6%. Entre os participantes restantes, 22% indicaram que avaliam a possibilidade de ingressar na modalidade.

Com essa expansão, o público brasileiro alcançou o segundo lugar global em propensão ou utilização da tecnologia, sendo superado apenas pela China, que lidera com 86%. O país superou economias tradicionais como Singapura (59%), Reino Unido (48%), França (46%), Estados Unidos (45%) e Austrália (40%).

De acordo com Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral da Global Payments para a América Latina, o ritmo local surpreendeu as previsões:

“O que mais chama atenção é o nível de adoção do Brasil, que está crescendo de uma forma totalmente acelerada”, diz.

O executivo aponta que a expectativa inicial era de uma adesão mais rápida em locais com estruturas regulatórias consolidadas de defesa do consumidor, a exemplo da Europa. No cenário brasileiro, a busca por economizar tempo atua como principal catalisador:

“Quando você olha as grandes cidades brasileiras, vê essa necessidade de tempo da pessoa que está o dia todo na rua, indo de um lado para outro. Esse consumidor tem uma necessidade urgente de delegar atividades”, afirma o representante da Global Payments.

Privacidade e proteção de dados ainda geram receio

Mesmo com o aumento da simpatia pelo modelo automatizado, barreiras importantes continuam no radar dos compradores. A segurança dos meios de pagamento lidera os temores (50%), acompanhada de preocupações sobre o sigilo de dados pessoais (45%) e o medo de que o assistente cometa equívocos na seleção de produtos (41%).

Para atenuar essas desconfianças, 41% dos participantes destacam a necessidade de autorização prévia antes de qualquer pedido ser finalizado. Outros 41% exigem o recebimento imediato de alertas após cada transação, enquanto 34% demandam garantias sólidas contra invasões virtuais e 33% cobram regras explícitas sobre a responsabilidade civil em situações de erro.

D’Antiochia avalia que a superação gradual dessas incertezas acompanhará o amadurecimento técnico das plataformas, com queda nos erros de processamento e ajustes nas legislações locais. O executivo avalia que mercadorias padronizadas e sem grande diferenciação entre marcas serão as primeiras a concentrar esse volume de vendas:

“Quando frete, condições de entrega, etc., são iguais, ganha o mais barato, ou o promotor mais amigável”, diz.

Disputa entre grandes varejistas e agentes próprios

Outro movimento destacado é a criação de ecossistemas fechados dentro do comércio eletrônico. Redes de varejo tendem a privilegiar assistentes proprietários e dificultar a integração de ferramentas concorrentes, dinâmica que deve exigir negociações futuras.

Para contextualizar o cenário, o porta-voz faz uma analogia com a disposição de lojas âncoras:

“Há shoppings em que você entra por uma loja e depois acessa o resto do shopping. Todo mundo quer ser essa loja, né? Essa loja é onde você tem que passar de forma obrigatória”.

No mercado internacional, a Amazon já adotou restrições contra a ferramenta Muse, pertencente à Meta, impedindo compras em sua base enquanto desenvolve suas soluções internas. No cenário nacional, gigantes do setor aceleram implementações: o Magazine Luiza aposta no WhatsApp da Lu, assistente que filtra preferências e executa a transação no próprio aplicativo, enquanto o Mercado Livre aperfeiçoa seus motores de busca inteligente e testa assistentes voltados a orientar todas as etapas da decisão de compra.

Índice de confiança global

A Pesquisa Internacional de IA Agêntica, conduzida pela The Lantern a pedido da Global Payments, ouviu 8.027 consumidores para medir limites de gastos e barreiras comportamentais diante de assistentes autônomos. Em uma escala de 1 a 5 pontos, o índice de confiança do consumidor brasileiro atingiu a média de 3,80 pontos — superado unicamente pelo índice chinês (3,97) e consolidando uma alta expressiva frente à pontuação anterior de 3,18 registrada pelo país.

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