Uma força-tarefa integrada pela Polícia Federal e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou a Operação Yellow Code para desarticular uma organização criminosa especializada em tráfico interestadual de entorpecentes e lavagem de capitais.
Mandados judiciais e bloqueio milionário
A ofensiva mobilizou agentes para o cumprimento de 14 mandados de prisão temporária e 15 ordens de busca e apreensão. As diligências ocorreram em três estados: em São Paulo (na capital, em São Caetano do Sul e em Praia Grande), em Santa Catarina (Palhoça) e no Paraná (Foz do Iguaçu e Pinhais).
Durante as ações, os policiais apreenderam armas de fogo, porções de entorpecentes e cerca de R$ 270 mil em cédulas. As medidas foram autorizadas pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo, que determinou o confisco de veículos ligados aos alvos e a indisponibilidade de até R$ 5 milhões do patrimônio de cada investigado, abrangendo pessoas físicas e jurídicas.
Fornos e bebedouros eram usados para ocultar haxixe
O esquema consistia na utilização de plataformas de comércio eletrônico para despachar haxixe camuflado na estrutura interna de aparelhos como fornos elétricos e bebedouros. O destino principal das encomendas era a capital paulista e municípios da Grande São Paulo.
O monitoramento começou em setembro de 2025, após a identificação de entregas suspeitas que vinham sendo recebidas desde o ano anterior. As apurações revelaram que mais de 120 remessas atípicas partiram de um único perfil de vendedor, com envios concentrados a partir de Foz do Iguaçu, tendo como destino três redes distintas de compradores em território paulista.
Estrutura de lavagem e empresas de fachada
Além da distribuição das substâncias ilícitas, o grupo montou uma engrenagem financeira para reintroduzir o capital ilegal no mercado formal. As movimentações bancárias eram incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos participantes.
Para mascarar a origem dos recursos, a quadrilha realizava depósitos fracionados, retiradas em espécie e transferências imediatas para contas de terceiros ou de pessoas jurídicas recém-criadas. Essas firmas de fachada apresentavam capital social irrisório e não possuíam funcionamento operacional real, servindo como elo financeiro entre núcleos que fingiam atuar de forma independente.
Os itens apreendidos serão submetidos a perícia técnica enquanto os investigadores aprofundam a análise patrimonial para identificar outros integrantes da rede. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação/organização criminosa e lavagem de dinheiro.
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