Rali eleitoral acabou? JPMorgan vê espaço para novas altas no varejo e na saúde

Ações de varejo e saúde têm espaço para subir, diz JPMorgan

Economia

Mesmo após a forte valorização registrada desde o desfecho do primeiro turno eleitoral, as empresas ligadas ao varejo e ao setor de saúde mantêm margem expressiva para novas valorizações na Bolsa de Valores brasileira. Em avaliação conduzida pelos analistas Joseph Giordano e Nicolas Larrain, do JPMorgan, o momento exige foco em companhias dotadas de balanços sólidos, previsibilidade operacional e capacidade comprovada de expansão no longo prazo.

O levantamento aponta que, desde 2 de outubro, o valor de mercado das varejistas acompanhadas pela instituição avançou 16%, com alta média de 20% em suas cotações. Já as companhias de saúde acumulam avanço de 12% em valor e valorização média de 14% em seus papéis. Ambos os desempenhos superaram com folga o Ibovespa, que valorizou 8% no mesmo intervalo, apesar das recentes realizações de lucros observadas na B3.

As três principais recomendações da carteira

Diante do cenário de possível alívio monetário e disciplina no front fiscal, a instituição financeira mantém recomendação de compra para três nomes prioritários: RD Saúde (RADL3), Rede D’Or (RDOR3) e Smart Fit (SMFT3). As escolhas refletem uma combinação estratégica de liquidez, múltiplos atraentes e proteção operacional.

No setor farmacêutico, a RD Saúde se destaca pela consolidação na liderança nacional e avenidas claras de crescimento estrutural. Na saúde hospitalar, a Rede D’Or entrega ganho de escala e um patamar de preço avaliado como convidativo. Já no segmento fitness, a Smart Fit sustenta ritmo de expansão geográfica e evolução de lucros, neutralizando pressões concorrenciais.

No comércio de vestuário, o principal veículo para capturar a reprecificação macroeconômica é a C&A Brasil (CEAB3), enquanto a Lojas Renner (LREN3) desponta como opção complementar para quem busca maior volume de negociação.

Múltiplos permanecem abaixo da média histórica

Apesar da arrancada recente, as métricas de precificação continuam atrativas. O varejo é negociado atualmente a cerca de 9 vezes o lucro projetado — nível 40% inferior à média registrada nos últimos cinco anos. No setor de saúde, a negociação gira em torno de 10 vezes o lucro, o que representa um desconto de 33% perante o histórico recente.

Pelos cálculos do banco, a normalização do custo de capital próprio abre espaço para que os múltiplos de preço sobre lucro (P/L) no varejo se expandam entre duas e três vezes. Ainda que essa recuperação ocorra, as avaliações permaneceriam entre 20% e 30% abaixo dos padrões passados, refletindo um consumo que deve permanecer moderado nos últimos trimestres de 2026 e ao longo de 2027.

Cautela com Magazine Luiza e teses específicas

Embora a melhora no cenário de juros favoreça teses de consumo, a disparada rápida de alguns papéis acendeu um sinal de moderação. Nomes como Assaí (ASAI3) e Magazine Luiza (MGLU3) reagem diretamente ao recuo da Selic, mas a intensidade dos ganhos recentes diminuiu o retorno esperado, sobretudo no caso do Magalu, cuja reprecificação foi considerada excessiva.

Em outras frentes da Bolsa, o impacto dos juros diverge entre os modelos de negócio:

  • Hapvida (HAPV3): exibe correlação positiva e sensibilidade relevante ao ciclo de afrouxamento monetário.
  • Bradsaúde (SAUD3): pode ter a rentabilidade contida diante da queda das taxas de juros, devido ao peso de sua posição em caixa e ativos financeiros líquidos.
  • Hypera (HYPE3): combina alavancagem líquida próxima de 2,5 vezes e catalisadores potenciais no segmento de medicamentos para diabetes e obesidade (agonistas do receptor GLP-1).
  • Grupo Mateus (GMAT3): embora se beneficie de programas de renda social como o Bolsa Família, tem baixo endividamento e carece de gatilhos imediatos para o curto prazo.

Por fim, teses pressionadas por desafios operacionais próprios, a exemplo de Natura (NATU3) e Vivara (VIVA3), tendem a perder espaço na preferência dos grandes investidores institucionais. Já no caso de Azzas 2154 (AZZA3), o desempenho das ações fica condicionado a eventos corporativos pontuais, como a descontinuidade ou venda da marca Farm Rio, mais do que à maré econômica geral.

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