Seis meses após romper com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), os Emirados Árabes Unidos confirmaram um crescimento expressivo em suas exportações de petróleo. O anúncio foi feito nesta segunda-feira durante a abertura da ADIPEC, uma das principais conferências globais de energia, realizada em Abu Dhabi.
O país integrou a Opep como um membro fundamental por 59 anos, mas decidiu deixar o bloco em abril, logo após o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Iniciada no fim de fevereiro, a guerra provocou impactos severos no fornecimento global de energia e disparou os preços do barril no mercado internacional.
Durante o evento, o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail al-Mazrouei, declarou aos executivos presentes que o volume exportado pela nação superou, em determinados momentos, os patamares registrados antes do conflito, embora não tenha apresentado métricas exatas.
Al-Mazrouei também reforçou que o governo vai blindar sua infraestrutura energética e continuar aportando recursos em novas rotas de escoamento. O evento em Abu Dhabi segue com programação aberta ao público do setor até quinta-feira.
Produção acima das antigas cotas
Os dados fornecidos pela própria Opep, obtidos por meio de fontes secundárias, dão sustentação ao discurso oficial. Em setembro, a nação alcançou uma extração de 3,917 milhões de barris por dia de petróleo, o que representa um avanço de 15% em comparação com o mês de fevereiro.
Esse volume de setembro supera em 470 mil bpd a cota que estaria vigente para os Emirados Árabes Unidos caso o país ainda estivesse vinculado à Opep e ao grupo Opep+ em 1º de maio, data oficial de sua saída. Em contrapartida, os demais parceiros regionais do acordo, com exceção de Omã, mantiveram a produção abaixo dos limites estabelecidos.
Divergências e dados da IEA
As estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam patamares ainda mais elevados. Para o mês de setembro, a expectativa da instituição era de que a produção do país tivesse atingido 4,4 milhões de bpd.
Considerando o petróleo bruto, o condensado e outras categorias de líquidos, o total produzido pelos Emirados Árabes Unidos bateu recorde em setembro, alcançando 5,3 milhões de bpd, conforme divulgado pela IEA no mês passado.
A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi contesta os dados citados pela Reuters.
A Reuters solicitou um comentário da empresa estatal de petróleo sobre os números de produção da Opep e da IEA, sobre os dados de exportação que mostram que os embarques dos Emirados Árabes Unidos foram superiores aos da Arábia Saudita em agosto e sobre a sugestão de que os Emirados Árabes Unidos teriam se beneficiado ao deixar a Opep.
“Informamos à Reuters que os dados desta matéria estão errados e que esta reportagem é imprecisa”, disse um porta-voz da ADNOC. A ADNOC não especificou o que havia de impreciso nos dados ou na reportagem, nem forneceu dados alternativos.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e as autoridades da Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo e principal membro da Opep, não responderam a um pedido de comentário.
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