Shamonda: o que se sabe sobre vírus que infectou e matou humano pela primeira vez

Primeira morte humana por vírus Shamonda é registrada na França

Curiosidades

Um homem imunocomprometido contraiu o vírus Shamonda e morreu em decorrência da infecção na França, segundo autoridades de saúde europeias. O episódio é emblemático porque acreditava-se que o patógeno só infectasse animais, especialmente bovinos. Este foi o primeiro caso registrado entre humanos. Apesar disso, especialistas e autoridades de saúde apontam que as probabilidades de o vírus iniciar um surto ou uma epidemia são baixas.

Origem e transmissão do patógeno

O vírus Shamonda foi descoberto na Nigéria em 1965. Ele infecta principalmente animais ruminantes, como vacas, ovelhas e cabras, causando febre, diarreia e diminuindo a produção de leite. Raramente é letal em indivíduos adultos. O vírus é transmitido pela picada de mosquitos do gênero Culicoides, mais conhecidos como maruins ou mosquitos-pólvora. É um parente do vírus da Oropouche, doença que afetou milhares de brasileiros nos últimos anos.

Surto na Europa e o caso fatal

Em julho de 2026, um surto causado por duas novas variantes do Shamonda foi identificado em rebanhos na Europa, inicialmente na Suíça e na Alemanha. A doença se espalhou para fazendas da França, Espanha, Portugal e outros países. No dia 9 de outubro, o homem morreu em decorrência da infecção. Ele tinha mais de 60 anos, vivia na região rural de Ródano-Alpes, onde o vírus já circulava entre os animais, e lutava contra um câncer. Ele apresentou sintomas como diarreia, perda de visão, confusão mental e outros problemas neurológicos. O quadro evoluiu para uma encefalite, que foi fatal.

Segundo um relatório publicado no periódico Eurosurveillance, é provável que o homem tenha sido infectado após ser picado por um maruim. Outras hipóteses, menos prováveis, são que ele tenha contraído o vírus após consumir comida contaminada ou após uma transfusão de sangue.

O paciente tinha leucemia grave e era imunocomprometido, o que provavelmente agravou o seu quadro, segundo cientistas. Um sistema imunológico frágil pode permitir que o vírus fique mais tempo no corpo e chegue a mais órgãos. Na autópsia, foi constatado que os níveis virais estavam altos no cérebro, no fígado e no baço do homem.

Sequenciamento genético

O vírus Shamonda não é detectado por meio de exames de sangue de rotina. Os médicos precisaram sequenciar o RNA presente nas amostras do paciente.

O genoma viral encontrado no corpo do homem era bastante parecido com o do vírus Shamonda que circula em animais, com o destaque para cinco mutações. Os pesquisadores ainda não sabem se essas alterações tornam o vírus mais infeccioso para os seres humanos.

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