Gasolina deve atingir recorde sob Trump na véspera das eleições de meio de mandato nos EUA

Gasolina nos EUA bate recorde sob Trump na véspera de eleições

Mercados

Os preços da gasolina nos Estados Unidos estão prestes a atingir uma média recorde durante uma administração presidencial desde que Donald Trump retornou à Casa Branca. A marca histórica será alcançada justamente um dia antes de os americanos votarem em eleições legislativas marcadas pelo forte descontentamento com o custo de vida.

Levantamento baseado em dados federais aponta que o valor médio de um galão (3,8 litros) de gasolina no segundo mandato de Trump superará US$ 3,46 em 2 de novembro. Com isso, o índice ultrapassará a máxima média anterior, registrada durante a gestão de seu antecessor, Joe Biden.

O peso da energia nas urnas

O revés político para o presidente acontece em um cenário em que as tarifas dos combustíveis dispararam desde o início do conflito com o Irã, em fevereiro. O fator tornou-se o principal elemento de desgaste para os republicanos às vésperas do pleito.

“Os preços elevados da energia são um dos principais fatores por trás das preocupações com o custo de vida, que estarão no centro das atenções dos eleitores nas urnas”, afirmou Jason Bordoff, diretor do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia. “E esses preços são resultado de danos autoinfligidos que esta administração impôs ao país.”

Durante a corrida eleitoral de 2024, Trump atraiu eleitores ao prometer baratear a gasolina para US$ 2 por galão, combatendo a inflação da era Biden. Contudo, a guerra provocou o efeito oposto. O valor do combustível subiu mais de 33% desde o retorno do republicano ao poder em janeiro do ano passado, alcançando US$ 4,269 por galão em 26 de outubro, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA).

O preço médio acumulado do atual mandato estava em US$ 3,455 por galão na semana passada, ligeiramente abaixo do recorde de US$ 3,457 de Biden. Os cálculos mostram que a média da gestão atual ultrapassará a anterior com a divulgação dos dados desta terça-feira (3). Apesar disso, os valores permanecem distantes do pico superior a US$ 5 por galão visto sob Biden após a invasão russa da Ucrânia em 2022.

Impacto na inflação e na política

A alta nas bombas pressionou a inflação. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) avançou para uma taxa anual de 3,6% em setembro, comparado aos 2,6% registrados antes de Trump assumir o cargo.

Pesquisas apontam que o eleitorado deve punir o partido governista nas disputas para a Câmara e o Senado, com redutos republicanos enfrentando forte acirramento. Uma pesquisa recente indicou que 56% dos entrevistados declararam estar em situação financeira pior sob Trump.

“Se a vida moderna pudesse ser resumida a um preço, seria o preço na bomba de combustível”, afirmou Bob McNally, ex-assessor de energia do governo George W. Bush e presidente da consultoria Rapidan Energy. “Independentemente de o eleitor abastecer naquele dia ou não, é provável que veja o preço na bomba.”

O encarecimento dos combustíveis equivaleu a “um aumento repentino de impostos que o eleitor não autorizou e sobre o qual o Congresso não votou”, pontuou McNally. “E, como os presidentes [Jimmy] Carter e George H. W. Bush podem atestar, isso representa um enorme obstáculo para qualquer partido no poder às vésperas de uma eleição.”

Fatores globais e defesa do governo

O bloqueio imposto pelo Irã ao transporte de petróleo pelo estreito de Hormuz durante grande parte do ano, somado aos danos a refinarias no Oriente Médio e aos ataques ucranianos a instalações russas, estrangulou a oferta global e encareceu os derivados.

O presidente americano justificou o encarecimento como um efeito colateral inevitável de uma campanha militar destinada a impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, garantindo que as tarifas despencarão com o fim das hostilidades.

A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, declarou: “Proteger a segurança nacional dos Estados Unidos contra ameaças de um regime terrorista radical que grita ‘Morte à América’ há 47 anos foi a coisa certa a fazer, e o presidente Trump é o único que teve coragem de fazê-lo”. Um funcionário do governo acrescentou que, com o ajuste pela inflação, os custos eram superiores na gestão de Biden.

O drama do diesel e medidas de exceção

O diesel, insumo vital para a indústria e o agronegócio, gerou forte pressão sobre políticos situacionistas em zonas agrícolas. O produto encareceu mais de 70% no atual mandato, batendo US$ 6,352 em 26 de outubro. A média do período subiu para US$ 4,339 na semana passada, superando os US$ 4,076 da era Biden.

Diante do cenário, Trump adotou medidas drásticas, como a suspensão de normas ambientais e de transporte, além de incentivar a eliminação de tributos estaduais sobre os combustíveis.

“Esta administração foi mais longe do que qualquer outra na tentativa de conter os preços nas bombas”, defendeu McNally. “Mas, no fim das contas, o poder de qualquer Casa Branca é limitado.”

A iniciativa mais debatida foi a suspensão temporária de sanções para importar diesel russo mediante acordo com Vladimir Putin. Três navios-tanque com 140 mil toneladas do combustível devem descarregar em portos dos EUA após o pleito. Contudo, analistas ponderam que o impacto será limitado devido aos baixos volumes iniciais e à escassez de produto na própria Rússia.

“No fim das contas, provavelmente muito pouco desse diesel chegará aos Estados Unidos, porque a Rússia não tem muito diesel para vender”, ponderou Rachel Ziemba, analista do Centro para uma Nova Segurança Americana. “Seria necessário um cessar-fogo na área de energia, além de tempo para reconstruir e reparar as refinarias russas.”

Enquanto gigantes do setor como Exxon e Chevron registraram lucros combinados próximos de recordes, somando US$ 25,3 bilhões, Trump gerou polêmica ao comemorar os ganhos das petroleiras. “Não estou nem aí, vou dizer: estamos fazendo uma fortuna do caramba”, disse em evento na Geórgia, atraindo fortes críticas.

“Trump e seus amigos ultrarricos do setor petrolífero estão estourando champanhe enquanto embolsam bilhões com o sofrimento dos americanos”, criticou Alex Glass, representante da organização Climate Power.

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