O governo brasileiro aguarda que os Estados Unidos enviem até o início da semana que vem um primeiro esboço de acordo comercial listando os segmentos que gostariam de acessar com tarifas reduzidas no mercado brasileiro, conforme declarou nesta terça-feira (3) o ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio).
Segundo o titular da pasta, tal medida representou um compromisso firmado no final de setembro, no decorrer do último encontro presencial entre as nações para debater o assunto. “A informação que eu tenho é eles estão trabalhando no documento para nos encaminhar. Tivemos conversas informais nesse período”, afirmou Elias Rosa.
O ministro pontuou que ainda desconhece quais serão os setores exigidos pelos americanos para a abertura de mercado. Ele detalhou que o Brasil responderá mediante uma contraproposta, enumerando os seus próprios campos de interesse.
Impacto das taxações
Estão em vigor desde julho deste ano duas novas tarifas aplicadas pelo governo Trump contra os produtos brasileiros. Uma primeira, por supostas práticas comerciais desleais, de 25%, e outra por supostas falhas no combate à importação de produtos fabricados com mão de obra escrava, de 12,5%.
Referidos dois últimos ciclos de tarifas norte-americanas contra o Brasil afetam simultaneamente 3.985 produtos, ou US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras aos EUA, segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
No começo do ano, os Estados Unidos sondaram a possibilidade de o Brasil aceitar um acordo comercial nos moldes daquele recentemente estabelecido entre EUA e Argentina, alternativa avaliada como inaceitável por assessores de Lula.
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