O Reino Unido já é alvo de ações cibernéticas utilizando inteligência artificial por parte de nações rivais, e a velocidade e a escala dessas invasões devem crescer de forma expressiva nos próximos dois anos, conforme alertaram os serviços de inteligência britânicos nesta terça-feira (3).
O Centro Nacional de Segurança Cibernética (NCSC), vinculado à Agência Britânica de Inteligência de Sinais (GCHQ), apontou que os recentes progressos nos modelos tecnológicos estão “transformando as operações cibernéticas”, facilitando a detecção de vulnerabilidades, a seleção de alvos e a execução de investidas com maior eficiência.
Em sua revisão anual de segurança cibernética divulgada nesta terça-feira (3), o NCSC destacou: “Até 2028, é altamente provável que China, Rússia e outros Estados utilizem rotineiramente a IA em ataques cibernéticos para alcançar seus objetivos geopolíticos, enquanto o Reino Unido enfrentará um aumento na escala e na velocidade de ataques sofisticados”.
A instituição também projeta a ocorrência de investidas de ransomware amparadas por inteligência artificial contra a infraestrutura do país no mesmo período. Esse modelo de crime digital envolve a invasão de sistemas por meio de softwares maliciosos, com a restituição do controle condicionada ao pagamento de resgate.
Os avisos surgem após uma sequência de incidentes virtuais de grande impacto contra empresas e infraestruturas mundialmente, muitos deles supostamente apoiados por ferramentas tecnológicas em rápida evolução.
Na segunda-feira (2), freezers de diversos supermercados europeus foram alvos de invasões por um agente não identificado, resultando na perda de mantimentos. Esse foi o segundo caso do tipo registrado em um mês. Os episódios coincidem com o roubo de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,62 bilhões) em criptomoedas da Binance, maior corretora do setor, ocorrido na semana anterior e considerado o maior furto da história.
Segundo o NCSC, em vez de automatizarem totalmente as ofensivas com inteligência artificial, os invasores têm empregado o recurso principalmente para coletar dados sobre alvos, adaptar campanhas de phishing e descobrir ou explorar falhas em softwares.
Ameaças estatais e panorama de incidentes A China encabeça a lista como a ameaça cibernética “mais sofisticada e persistente” enfrentada pelo território britânico, enquanto a Rússia é classificada como a “mais ousada”, conforme apontado no relatório. O documento relembra uma investida ocorrida em dezembro de 2025 contra o sistema elétrico da Polônia, vinculada a setores de segurança russos, cujo sucesso potencial impactaria meio milhão de pessoas.
Ao longo deste ano, o NCSC registrou 1.831 notificações de invasões digitais direcionadas a entidades britânicas de variados ramos, sendo 80 delas categorizadas como de relevância nacional.
Durante a apresentação do documento na terça-feira (3), Richard Horne, diretor-executivo do NCSC, avaliou que os mecanismos de proteção digital, principalmente os voltados para infraestruturas essenciais, estão defasados frente ao crescimento dos riscos.
“Durante décadas, conseguimos nos virar coletivamente com investimentos insuficientes em tecnologia”, afirmou Horne, fazendo um apelo para que instituições nacionais reforcem os aportes financeiros em segurança digital e evitem expor sistemas à internet sem real necessidade.
“Nos próximos meses, enfrentamos a possibilidade concreta de um aumento sem precedentes no número de incidentes cibernéticos”, complementou.
“Isso não acontece porque a IA inventou novas formas de nos atacar. Acontece porque vulnerabilidades toleradas por tempo demais agora podem ser descobertas e exploradas em uma escala e velocidade que antes eram inimagináveis.”
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