Começa agora a campanha para presidente dos Estados Unidos em 2028

Disputa pela Casa Branca em 2028 é oficialmente aberta nos EUA

Mundo

A corrida pela presidência dos Estados Unidos em 2028 teve início nesta quarta-feira (4). O pleito é marcado por um nível de rejeição popular ao domínio republicano no Executivo e no Legislativo que não era visto há meio século, período em que o país respondeu aos escândalos que culminaram na renúncia de Richard Nixon.

O revés sofrido pelo partido governista abre caminho para contestações à candidatura de J. D. Vance, que até então parecia inevitável. Embora analistas de redes sociais já especulassem que o temperamento de Donald Trump pudesse escantear seu vice, a sobrevivência política do ex-senador de Ohio — cuja aprovação popular despencou para apenas 38%, segundo levantamento recente da AtlasIntel — tornou-se imprevisível.

Ainda mais complexo é decifrar a motivação por trás da extensa postagem publicada por Vance na rede social X poucas horas após a confirmação da expressiva derrota de seu partido, com base em resultados parciais.

O vice-presidente responsabilizou a guerra contra o Irã e a aliança com Israel pelo desfecho eleitoral. Para um político de 42 anos que já alterou o sobrenome em sua certidão de nascimento em duas ocasiões, tal flexibilidade em um cargo que exige lealdade às decisões do chefe evidencia seu descolamento da realidade diante de fatos inconvenientes. Entre eles, o fato de que Vance sai como um derrotado incontestável deste pleito.

Os eleitores certamente se lembram de quando Vance viajou a Ohio para defender um polêmico comercial de campanha do candidato a governador Vivek Ramaswamy, alvo de condenação pública inclusive pelo atual governador republicano do estado. A peça publicitária acusava a democrata Amy Acton — vencedora da disputa contra Ramaswamy — de mentir sobre ter sido vítima de estupro pelo padrasto na infância, um fato validado judicialmente. Vance, que recentemente lançou uma obra literária sobre sua conversão ao catolicismo, criticou os correligionários que externaram repúdio ao vídeo.

Apesar da juventude que teoricamente lhe daria tempo para 2028, o vice-presidente permanece atrelado ao seu padrinho político, Peter Thiel, figura central por trás da empresa Palantir e financiador de sua campanha ao Senado em Ohio. Em um áudio que veio à tona recentemente, Thiel condena abertamente a ofensiva militar contra o Irã.

Outro nome cotado entre os republicanos é o de Marco Rubio, que atua como secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional de Trump. O ex-senador da Flórida também encontrará barreiras para se desvincular das políticas impopulares adotadas pelo atual governo. Permanece incerto se figuras republicanas que foram afastadas pelo forte domínio da ala trumpista “Maga” nos últimos anos conseguirão ressurgir como alternativas viáveis para a disputa presidencial.

No campo democrata, o pleito evidenciou o desejo público de renovação e afastamento de lideranças idosas, a exemplo de Chuck Schumer, atual líder democrata no Senado. Com a chegada de novas lideranças ao Congresso em janeiro, ficará evidente que a estrutura partidária injetou sangue novo com uma safra de talentos inédita em ao menos uma geração.

Apesar de a lista de potenciais postulantes democratas ser extensa, antecipa-se que a pluralidade ideológica abrigada hoje pela legenda marcará presença na campanha. O fator é particularmente relevante após o revés de 2024, quando o eleitorado foi privado de uma convenção disputada para definir a chapa, em decorrência da desistência de Joe Biden a poucos meses do pleito.

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