O assessor especial Celso Amorim rebateu nesta segunda-feira (26) a acusação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as eleições no Brasil, vencidas neste domingo (25) pelo petista, foram fraudadas.
“Só se ele está se referindo à Meta”, disse Amorim à CNN Brasil. “Espero que as relações [com os EUA] sigam normais. Mas, se não for assim, estaremos preparados”, afirmou ele.
A declaração do assessor ocorreu após o republicano quebrar o silêncio sobre o pleito. A jornalistas, Trump disse que gosta de Lula, mas que a eleição no Brasil “parece ter sido fraudada”. “Passou uma impressão muito ruim. A eleição, a maneira como os votos foram contabilizados, sabe? Com a prorrogação do horário de votação, foi muito estranho”, disse Trump nesta segunda-feira (26), sem apresentar provas.
“Achei que foi uma situação muito ruim. Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo. É mais uma eleição. Sabe, as eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim”, disse ele. “Acompanhei a eleição. Pareceu tão, tão corrupta, tão terrível.”
Questionado se pretendia tomar alguma medida em relação às eleições brasileiras após horas de silêncio sobre o resultado do domingo (25), o líder norte-americano afirmou que é o presidente dos Estados Unidos, não do Brasil.
Expectativa e interferência digital Na última quinta-feira (23), dias antes do segundo turno, Amorim havia afirmado em entrevista que Trump respeitaria o resultado da eleição a despeito de preferir que outro candidato ganhasse.
“Acho que o presidente Trump vai respeitar. Não significa que vai sair correndo para reconhecer e dizer ‘que bom’, mas vai respeitar na prática”, afirmou Amorim na ocasião. “Não sei se ele vai elogiar ou não, se vai dizer ‘viva o Lula’. Ele desejou boa sorte ao Lula em telefonema. Ele pode gostar mais de alguém ou de outro, mas respeita o presidente Lula”, disse.
Por outro lado, Amorim classificou como “muito grave” o caso de prejuízo a perfis de Lula e impulsionamento algorítmico de contas relativas a Flávio pela Meta. Ele apontou que o incidente, “uma interferência que já deixa uma marca, qualquer que seja o resultado”, provocou “danos irreparáveis”.
As grandes empresas de tecnologia, a exemplo da Meta, que também atua fortemente no setor de inteligência artificial nos Estados Unidos, mantêm proximidade com o governo Trump. “Isso é uma prova clara de que as grandes redes podem e por vezes interferem nas decisões políticas dos outros países”, disse o assessor especial, que, no entanto, não classificou o caso como uma interferência que partiu da Casa Branca.
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