É necessário fazer uma avaliação médica antes de começar exercícios de impacto?

É necessário fazer uma avaliação médica antes de começar exercícios de impacto?

Saúde

Corrida, saltos e aulas que envolvem movimentos repetitivos de impacto fazem parte da rotina de muitas academias. Mas, antes de começar uma dessas atividades, é necessário passar por uma avaliação médica?

A resposta depende das condições de saúde de cada pessoa. Embora o acompanhamento seja especialmente importante para quem apresenta sintomas, doenças preexistentes ou fatores de risco, nem todo iniciante precisa realizar uma bateria de exames para começar a se exercitar.

Quem deve procurar avaliação médica antes de treinar?

Pessoas com doenças cardiovasculares, metabólicas ou renais conhecidas, especialmente quando pretendem iniciar atividades intensas, podem precisar de avaliação médica antes de começar.

Sintomas como dor no peito durante o esforço, falta de ar desproporcional, tontura ou desmaios também merecem investigação antes da prática.

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Segundo as recomendações do American College of Sports Medicine (ACSM), a necessidade de avaliação prévia deve considerar a presença de doenças conhecidas, os sintomas apresentados, o nível atual de atividade física e a intensidade do exercício pretendido. Isso significa que o simples fato de uma atividade envolver impacto não determina, por si só, a necessidade de liberação médica.

O que é avaliado antes de começar?

A avaliação começa com uma conversa sobre o histórico de saúde, os sintomas e a atividade física que a pessoa pretende realizar. Dependendo dos achados, o médico pode indicar exames complementares.

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Em artigo publicado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o cardiologista e médico do esporte Leandro Echenique destaca a importância desse cuidado, especialmente para pessoas sedentárias, mais velhas ou com histórico familiar de doenças crônicas. 

Além da saúde cardiovascular, quem pretende começar a correr ou praticar exercícios com saltos pode se beneficiar de uma avaliação das condições musculares e articulares, principalmente se já apresenta dores ou lesões.

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Exames como eletrocardiograma e testes de esforço podem ser indicados em situações específicas. Já avaliações da pisada e do movimento podem auxiliar na investigação de queixas musculoesqueléticas. Nenhum desses procedimentos, porém, é obrigatório para todos os iniciantes ou garante a prevenção de lesões.

O que dizem as pesquisas sobre a avaliação prévia?

Um estudo publicado em 2006 na revista JAMA acompanhou as tendências de morte súbita cardiovascular entre atletas competitivos de 12 a 35 anos na região italiana do Vêneto, entre 1979 e 2004.

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Após a implementação de um programa obrigatório de avaliação médica, a incidência anual de morte súbita entre esses atletas caiu 89%. Os pesquisadores observaram que parte importante dessa redução esteve associada à identificação de doenças cardíacas. 

O resultado, entretanto, precisa ser interpretado com cuidado. Trata-se de um estudo observacional com atletas competitivos, e não de uma demonstração de que toda pessoa precisa passar por exames antes de começar uma atividade recreativa.

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Já uma atualização das recomendações do ACSM, publicada em 2015 na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, buscou reduzir encaminhamentos médicos desnecessários. A diretriz passou a considerar principalmente o nível de atividade física, a presença de sintomas ou doenças conhecidas e a intensidade pretendida. 

Como começar exercícios de impacto com segurança?

Para pessoas sem sintomas e sem doenças conhecidas, as recomendações do ACSM permitem iniciar atividades leves ou moderadas sem liberação médica obrigatória, aumentando gradualmente a intensidade.

Quem está sedentário deve evitar começar diretamente com sessões muito intensas. A progressão do volume e da dificuldade dos exercícios, respeitando a capacidade individual, é importante para a adaptação do organismo.

Já pessoas com condições clínicas conhecidas, sintomas durante o esforço ou dúvidas sobre sua capacidade de realizar atividades intensas devem buscar orientação médica antes de avançar no treinamento.

Assim, a avaliação prévia não precisa ser uma exigência indiscriminada, mas deve ser considerada de acordo com os riscos e as necessidades de cada praticante.

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