Conhecida globalmente por criar soluções elétricas de alto desempenho, a Rimac Technology vai muito além da fabricação de supercarros e atua fortemente como fornecedora de trens de força elétricos para grandes montadoras. O exemplo mais recente dessa parceria é o BMW i7, o modelo topo de linha da fabricante alemã que estreou um sistema de alta tensão projetado em conjunto com a empresa croata. E a colaboração não deve parar por aí.
Em declarações à Auto News, Mate Rimac, diretor-executivo da Bugatti Rimac, confirmou que “há mais dois sistemas em desenvolvimento, mas ainda não posso adiantar mais detalhes”. Além da BMW, marcas como a Porsche e a Ceer — uma nova fabricante saudita de veículos elétricos — também confiam na tecnologia da empresa para equipar seus modelos.
No Porsche 911 GTS T-Hybrid encontramos uma bateria de 1,9 kWh e 400 V produzida pela Rimac. A Ceer, por por outro lado, recorre ao fornecedor croata para desenvolver os seus sistemas de propulsão elétrica totalmente integrados. A estes, juntam-se “mais alguns clientes que ainda não podemos revelar”, concluiu.
Aposta de longo prazo que deu frutos
A parceria teve um início ousado. Em 2021, quando executivos do BMW Group visitaram as futuras instalações da Rimac Technology, receberam a promessa de que uma linha de produção exclusiva seria construída no local, mesmo sem um contrato assinado previamente.
Após mais de três anos de dedicação, o esforço trouxe resultados sólidos. Atualmente, a unidade fabril produz 48 mil sistemas de baterias anualmente para o BMW i7. O novo sedã utiliza células cilíndricas de iões de lítio desenvolvidas em parceria, com 46 mm de diâmetro e 95 mm de altura, garantindo maior densidade energética, autonomia ampliada e recargas mais rápidas.
Do total da planta, que possui uma área de 90 000 m2, cerca de 70% da capacidade é voltada para atender diferentes marcas do setor automotivo, sendo que o programa da BMW ocupa uma área de 15 000 m2.
Novos rumos e foco fora dos carros
Recentemente, investidores adquiriram a fatia de 21% que a Porsche detinha no Grupo Rimac, bem como seus 45% na Bugatti Rimac. Segundo Mate Rimac, a mudança traz mais agilidade operacional: “queria ser capaz de tomar decisões e investir a longo prazo sem ter de explicar tudo a 50 pessoas”. Com a reestruturação, o executivo afirma que pode se reunir com sua diretoria, decidir e avançar rapidamente.
Apesar de consolidada como fornecedora de nível primário em baterias, motores, eletrônica e softwares, a empresa não planeja um crescimento ilimitado no setor. “O portefólio que temos é aquele que queremos ter”, declarou o CEO.
“Neste momento, estamos (…) a concentrar-nos mais nas oportunidades fora da indústria automóvel. Isso deve-se ao facto de a indústria automóvel não ser, atualmente, o melhor cliente”, pontuou Mate Rimac.
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