As chamadas espécies exóticas invasoras (EEI) são plantas, animais, fungos ou outros organismos vivos que se estabelecem e se espalham fora de sua área de distribuição natural. Ao se sobreporem às espécies nativas, podem ameaçar a variedade biológica local.
Trata-se de um problema global e uma das principais causas de perda de biodiversidade no mundo. No Brasil, alguns exemplos de plantas exóticas invasoras são a mangueira, a goiabeira e o capim-gordura, entre outras.
Entidades de diferentes países têm buscado maneiras de combater essas espécies, mas, em geral, as iniciativas são caras e demoradas. Identificar esses organismos precocemente e controlar sua dispersão ainda é um desafio.
Pensando nisso, um novo estudo do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha, identificou uma estratégia promissora para detectar plantas invasoras: cães. Os animais e seus tutores conseguem identificar essas espécies pelo cheiro com uma taxa de 75% de precisão após concluírem um treinamento.
Os resultados foram detalhados em um artigo publicado no dia 4 de novembro no periódico científico PLOS One.
A proposta da pesquisa não era utilizar animais farejadores profissionais. Eles treinaram, do zero, cães comuns e seus donos, que buscavam atividades para praticar juntos ao ar livre. Ao todo, 31 cães e seus donos participaram do estudo, entre 2021 e 2023. Eles passaram por treinamentos on-line, nos quais aprenderam sobre comportamento canino e procedimentos para identificar odores específicos, além de seminários e atividades em campo.
Os animais foram treinados para detectar três plantas invasoras: Fallopia spp., Impatiens glandulifera e Ambrosia artemisiifolia. Durante as atividades, os cães aprendiam a reconhecer o odor característico das espécies.
O desempenho era registrado em vídeo, e os participantes também respondiam a questionários para que os pesquisadores pudessem acompanhar as condições de cada treinamento. Fatores pequenos, como as recompensas dadas os cães, também importavam.
Ao final, 12 times de cães e tutores completaram o treinamento e realizaram uma espécie de “prova final” para avaliar as habilidades de encontrar as plantas. O resultado foi positivo, e 11 equipes foram aprovadas, com uma taxa média de sucesso de 75% na detecção das espécies.
Com esse projeto piloto, os pesquisadores concluíram que a formação de equipes voluntárias, compostas por pessoas e seus cães, pode ser uma estratégia eficiente para detectar plantas invasoras.
“Os resultados mostram que, em geral, é possível treinar equipes voluntárias de detecção de cães para identificar plantas exóticas invasoras, permitindo que os cães identifiquem as espécies-alvo de forma confiável. A participação em tais projetos geralmente proporciona aos cães considerável estimulação mental e enriquecimento, fortalecendo assim o vínculo entre cão e dono”, escreveram os autores na pesquisa.
Apesar dos resultados positivos, o estudo identificou alguns desafios. Um deles foi a necessidade de um treinamento intensivo, difícil de conciliar com a rotina diária de muitos participantes. Isso fez com que diversas equipes desistissem do programa.
Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que projetos desse tipo são viáveis e elaboraram uma lista de recomendações para orientar futuras iniciativas. Entre as dicas, estão informar os voluntários sobre o tempo necessário para o treinamento e selecionar animais saudáveis e motivados por recompensas, como comida e brinquedos.
“O que achamos particularmente empolgante é a oportunidade de transformar algo que as pessoas já adoram fazer — passar tempo ao ar livre com seus cães — em uma contribuição significativa para a conservação da biodiversidade. Com o treinamento certo, os passeios diários podem se tornar um recurso adicional para a detecção precoce de plantas invasoras”, disseram os pesquisadores em comunicado.
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