'Vorcaro do Paraguai', dono do Ueno Bank herdou negócios da família e liderou boom de fintech; conheça

Quem é Federico Vázquez, o banqueiro do Paraguai comparado a Vorcaro

Mercados

Um jovem executivo à frente da rápida expansão de uma instituição financeira nos últimos anos, mas que acabou tendo a trajetória interrompida por uma intervenção e uma prisão. Essa descrição se encaixa tanto em Daniel Vorcaro quanto no fundador e principal acionista do Ueno Bank, fintech que provocou uma forte crise política no Paraguai.

Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, construiu sua carreira em uma estrutura corporativa herdada de seus familiares no setor financeiro. Atualmente, ele cumpre prisão preventiva sob acusações de crimes contra o patrimônio de cidadãos paraguaios e de órgãos públicos e privados, após investigações apontarem operações de crédito suspeitas envolvendo empresas ligadas ao próprio executivo. A defesa do empresário declarou que ele está à disposição da Justiça e solicitou a conversão da pena para prisão domiciliar.

Formação e os negócios da família

De acordo com seu perfil no LinkedIn, Vázquez cursou marketing na Universidade de Miami e obteve especialização em finanças pela Incae Business School, instituição com campus na América Central e nos Estados Unidos. Ele também relata ter passado por um programa voltado para diretores na IAE Business School, na Argentina.

Sua trajetória profissional começou na Credicentro, financeira criada por seu pai em 1984. Na rede social, ele aponta que ingressou na companhia em 2008, aos 18 anos, assumindo o cargo de CEO. A história da Credicentro está diretamente ligada a outro empreendimento familiar, o Grupo Vázquez, conglomerado que comanda o Ueno Bank e também tem Vázquez como presidente.

Dados do site corporativo apontam que as origens do grupo remontam a 1945, período em que o avô do executivo abriu uma oficina mecânica na capital Assunção. Com o passar do tempo, o negócio absorveu outras empresas da família e se transformou em um conglomerado multissetorial com atuação no agronegócio, setor automotivo e financeiro. A holding reúne mais de 20 empresas, emprega mais de 5.500 funcionários e registra um faturamento diário superior a US$ 1 milhão.

A Credicentro, ponto de partida da carreira de Vázquez, integrou esse portfólio até 2022, quando foi rebatizada como Ueno Holding, tornando-se uma das controladoras do Ueno Bank. O histórico profissional apresenta paralelos com o de Vorcaro, visto que o brasileiro também deu início à sua trajetória no Grupo Multipar, empreendimento de seu pai onde atuou como diretor e presidente.

Luxo e investigações

O estilo de vida abastado também aproxima os dois banqueiros, embora o brasileiro exiba um nível ainda maior de extravagâncias. Na quarta-feira (4), autoridades do Paraguai realizaram uma operação de busca e apreensão na residência de Vázquez, localizada em Assunção.

Segundo informações do portal paraguaio ABC, os agentes encontraram um “unicórnio gigante” posicionado em um corredor próximo ao quarto do empresário — referência ao termo corporativo usado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, símbolo bastante valorizado por ele. Além da peça, a polícia localizou na garagem sete carros de luxo e duas picapes, todos na cor preta, avaliados em conjunto em US$ 1,4 milhão.

Outro ponto em comum entre Vázquez e Vorcaro é a rejeição a publicações que questionam a lisura de suas atividades. Enquanto o brasileiro atribuía as notícias sobre o caso Master a disputas mercadológicas e campanhas de difamação promovidas por concorrentes na imprensa, o executivo paraguaio adotou postura semelhante. Meses antes, ele compartilhou em sua rede social uma carta aberta rebatendo questionamentos sobre a legalidade do banco.

“O Ueno opera dentro do sistema financeiro regulado paraguaio e seu desenvolvimento é acompanhado e avaliado por instituições financeiras, agências de classificação de risco e agentes do mercado local e internacional. Por isso, quando se tenta apresentar como irregular algo que os fatos e as instituições não sustentam, é válido fazer uma pergunta: Por que tanta insistência em desacreditar o Ueno?”, diz a publicação.

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