Encontrar novidades no saturado mercado de jogos estilo soulslike tornou-se um desafio para os entusiastas do gênero. A fórmula popularizada pela FromSoftware passou a ser vista por alguns com ressalvas devido à repetição de conceitos, mas a desenvolvedora One More Level — mesma criadora de Ghostrunner — prova que ainda há espaço para inovação com o lançamento de Valor Mortis. O título polonês preserva o DNA de ação ágil do estúdio ao misturar desafios de locomoção, combates viscerais e uma identidade marcante capaz de se destacar no gênero.
Ambientado no século XIX, o jogo coloca o usuário no controle de William, um soldado da Grande Armée que lutou ao lado de Napoleão e testemunhou a derrocada de seu exército. Após morrer em combate, o protagonista renasce dotado de poderes sobrenaturais em um mundo devastado pela Praga Carmesim. A jornada consiste em investigar as origens dessa corrupção na era napoleônica. Embora a narrativa permaneça superficial — com William dialogando em sua mente com uma versão de Napoleão e revivendo flashbacks —, a escolha do período histórico e a atmosfera europeia compensam a trama modesta. O level design brilha ao contrapor florestas, vales e campos agrícolas com fortalezas e monumentos góticos assolados pela praga, tudo sustentado por uma qualidade gráfica impressionante que entrega visuais dignos de grandes produções.
Exploração vertical e elementos de metroidvania Apesar da linearidade inicial, que restringe a exploração nos primeiros momentos, os cenários logo se abrem e introduzem atalhos clássicos para as lamparinas, equivalentes às tradicionais fogueiras. O game incorpora a dificuldade punitiva e a ausência de mapa típicas dos expoentes do estilo, mas diferencia-se ao adotar uma forte vertente acrobática. Os jogadores encontram desafios de parkour com direito a corridas na parede, além do gancho e de magias ígneas para derreter objetos e alcançar novas áreas. Essa estrutura flerta com o gênero metroidvania ao incentivar o retorno a locais anteriores, oferecendo uma navegação em primeira pessoa fluida e responsiva que remete a clássicos como Mirror’s Edge.
Combate visceral e sanguinolento O sistema de combate desafia as expectativas ao funcionar perfeitamente em primeira pessoa. A mecânica defensiva e ofensiva centraliza-se no “parry”, essencial para quebrar a postura do rival e abrir brechas para finalizações brutais. O jogo abusa da sanguinolência nessas execuções, permitindo desde disparar àquem queima a boca do oponente até desmembrar infectados. Por outro lado, a esquiva se mostra o ponto fraco das lutas, sendo imprecisa e complicada devido à limitação do campo de visão proporcionado pela perspectiva em primeira pessoa.
Considerações finais Avaliado com nota 90, Valor Mortis surpreende ao ir além de um simples clone do gênero, unindo a tradição dos soulslikes com a agilidade do parkour e um cenário histórico singular. O jogo encontra-se disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
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