Flávio admite não ter prova de fraude, mas diz que nem Lula pode se considerar eleito

Flávio Bolsonaro diz não ter provas de fraude e questiona eleição de Lula

Economia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que nem ele “nem Lula (PT) podem afirmar com 100% de certeza que alguém foi eleito presidente do Brasil”. A afirmação foi concedida em uma entrevista publicada nesta sexta-feira (6).

Questionado se se considera o verdadeiro vencedor do pleito presidencial de outubro, no qual acabou derrotado pelo atual chefe do Executivo por uma margem superior a quatro milhões de votos, o parlamentar alegou possuir “todas as ressalvas, motivos e indícios para desconfiar” do processo. Ele citou as duas horas de extensão no período de votação após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, referendada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques.

“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei. Isso não é permitido. Se fosse a chapa do Flávio Bolsonaro, estava cassada”, enfatizou.

Sem apresentar evidências adicionais, o político do PL também sustentou que não há “garantia” de que ele não tenha vencido ainda no primeiro turno. Na avaliação dele, nem mesmo a suposta compra de votos explicaria o crescimento na votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno, no intervalo de 21 dias.

Futuro político e permanência nos Estados Unidos

Durante a conversa, o senador evitou comentar o plano de saída que o levou para solo americano, mas revelou que ainda discute com familiares se irá residir permanentemente fora do país ou se voltará ao Brasil. Perguntado sobre a sua sustentação financeira no exterior, ele respondeu que tem recorrido a economias acumuladas durante suas duas décadas de atuação parlamentar.

Ao projetar o cenário para as eleições em 2030, Flávio comentou sobre o governador paulista e aliado Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já manifestou desejo de concorrer ao Palácio do Planalto. Para o senador, “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”. Ele próprio admitiu o interesse em pleitear o cargo no futuro, caso sua legenda autorize.

Contudo, o parlamentar ressaltou que a prioridade da família em uma eventual disputa presidencial será o pai, Jair Bolsonaro, caso ele consiga reaver seus direitos políticos.

Críticas ao Judiciário e impeachment

Sobre os inquéritos que tramitam contra ele na Suprema Corte, Flávio disse já antecipar o desfecho: “Como aconteceu com meu pai, como aconteceu com Eduardo [Bolsonaro]. Não tem porque eu acreditar que comigo seria diferente. O Supremo está comprometido, o TSE é dominado pelo governo, e a Polícia Federal e o Ministério Público são aparelhados”.

O senador confirmou ainda ser favorável ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes, acusando o magistrado de atuar em processos nos quais deveria se declarar impedido. “Tem mais de cem pedidos de impeachment. Por atuação político-partidária do ministro. Por que não vai para frente? Porque o atual presidente do Senado se recusa a pautar”, concluiu.

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