A cerca de 80 km de Belo Horizonte, na cidade mineira de Congonhas, uma imponente escadaria barroca recepciona os visitantes com doze figuras esculpidas em pedra-sabão. Criadas por Aleijadinho entre 1800 e 1805, essas esculturas representam a imagem mais famosa do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. O local recebeu o título de Patrimônio Mundial pela Unesco em 1985 e figura como parada obrigatória nos roteiros turísticos pelas cidades históricas de Minas Gerais.
A origem do santuário remonta a uma promessa feita pelo minerador português Feliciano Mendes. Acometido por uma grave doença, ele prometeu construir um templo ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos caso recuperasse a saúde. Curado, ergueu uma cruz no alto do morro em 1757, financiando as obras iniciais com seus próprios recursos e com as esmolas arrecadadas entre os devotos.
Ao longo dos séculos 18 e 19, o complexo religioso expandiu-se em etapas. A igreja, o adro e as capelas ganharam intervenções artísticas de Aleijadinho e de Mestre Ataíde, figuras centrais da arte colonial brasileira. Atualmente, subir a ladeira repete o trajeto percorrido por peregrinos desde o ciclo do ouro.
Os doze profetas que guardam a escadaria
Considerados a obra-prima de Aleijadinho, os 12 Profetas figuram entre as maiores expressões do barroco no Brasil. Posicionadas estrategicamente nos patamares do adro, as estátuas aparentam dialogar entre si tendo a cidade ao fundo. Durante a visita, merecem atenção especial os seguintes aspectos:
* A disposição das figuras ao longo da escada, que monta um cenário quase teatral para quem sobe; * Os gestos, as barbas e as expressões dos rostos, marcas inconfundíveis do escultor; * As inscrições em latim nos pergaminhos que cada profeta segura; * A mudança de tom da pedra-sabão conforme a luz do dia, que rende fotos bem diferentes de manhã e no fim da tarde.
O que ver nas capelas dos Passos e no centro histórico?
Na descida do morro, seis capelas retratam os Passos da Paixão de Cristo. Elas guardam 66 esculturas em madeira policromada, organizadas em cenas como a Ceia e a Crucificação. Cada capela funciona como uma pequena sala de exposição, e as figuras em tamanho quase natural impressionam de perto.
O passeio continua fora do santuário, nas ruas de casario colonial. Separe tempo para estes pontos:
* O Salão dos Ex-Votos, com objetos deixados por fiéis ao longo de mais de dois séculos; * O Museu de Congonhas, que ajuda a entender a história do conjunto; * O Beco dos Canudos, com construções coloniais e lojas de artesanato; * A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a antiga Estação Ferroviária.
Como chegar e quando programar a viagem
O acesso a partir de quem chega de avião é feito pelo Aeroporto de Confins, prosseguindo de carro, ônibus ou traslado. Para quem viaja de automóvel, a principal via de acesso é a BR-040, além da disponibilidade de linhas regulares de ônibus com saída de Belo Horizonte.
O santuário permanece aberto a visitantes durante todo o ano. Em setembro, o Jubileu do Senhor Bom Jesus reúne milhares de romeiros de vários estados, enquanto a Semana Santa traz procissões e o Corpus Christi enche as ruas próximas de tapetes ornamentais.
Um patrimônio de relevância mundial
A inclusão do conjunto na Lista do Patrimônio Mundial pela Unesco ocorreu em 1985, integrando o rol de bens protegidos que o Brasil possui atualmente. Em Congonhas, a justificativa para tal honraria revela-se durante o trajeto a pé, unindo arquitetura religiosa, esculturas em pedra e talhas em madeira em um único morro.
Para uma visitação sem pressa, recomenda-se reservar pelo menos meio dia para o adro e as capelas, destinando outro período semelhante para explorar o centro histórico. Hospedar-se na cidade possibilita contemplar os profetas sob a luz dourada do entardecer e retornar no dia seguinte pela manhã, antes da chegada das excursões, permitindo subir a escadaria praticamente sozinho.
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