Do 9/9 ao 11/11: datas duplas viram novo motor do e-commerce e desafiam Black Friday

Datas duplas desafiam a Black Friday e movimentam bilhões no Brasil

Economia

Nascidas de uma celebração da solteirice criada por estudantes da Nanjing University, na China, durante a década de 1990, as chamadas datas duplas se consolidaram como o novo motor do varejo digital brasileiro em 2026. Apenas para o dia 11 de novembro deste ano, a projeção da Confi — elaborada por meio de sua solução de inteligência de mercado Neotrust em parceria com o E-Commerce Brasil — aponta um faturamento acumulado de R$ 3,17 bilhões para os e-commerces no país, o que representa um salto de 21% sobre o mesmo período do ano anterior.

Foi o próprio 11 de novembro que o grupo de jovens universitários escolheu para celebrar o “Dia do Solteiro”. Anos depois, a gigante chinesa Alibaba enxergou potencial na data, transformando o feriado informal em um megaupgrade de descontos e compras na China. O conceito rapidamente cruzou fronteiras e se espalhou pelo Sudeste Asiático, onde a Shopee introduziu o 9/9, combinando outra sequência numérica idêntica entre dia e mês para alavancar transações. Ao desembarcar no Brasil em 2020, a companhia trouxe na bagagem a estratégia que já operava em outros mercados globais.

“Começamos criando esse hábito. O primeiro foi o 7 de julho, o nosso aniversário. No começo foi bem difícil. A Shopee estava começando no Brasil. Era algo a ser construído”, conta o diretor de marketing da companhia, Felipe Piringer. Já em 2025, rivais de peso como Mercado Livre e Amazon também haviam aderido ao modelo de dias com números repetidos.

Entre janeiro e setembro de 2026, o acumulado de todas as datas duplas injetou R$ 14,4 bilhões no comércio eletrônico nacional, um crescimento expressivo de 42,1% frente aos R$ 10,13 bilhões registrados no ano passado, segundo dados da Confi. No mesmo intervalo, o volume de pedidos disparou 56%, saltando de 32,55 milhões para 50,79 milhões. Por outro lado, o ticket médio apresentou recuo de 8,9%, indo de R$ 311,33 para R$ 283,50.

“As empresas educam o consumidor online mais ou menos frequente a ter um padrão de comportamento”, afirma o professor do Insper, Marcelo Nakagawa. “Para o varejista online é uma forma de concentrar muita demanda e não ficar brigando com o cliente em outros dias.” Na prática, a Shopee observa que suas vendas dobram durante esses períodos. Conforme Piringer, embora outros dias do mês também atraiam público, essas ocasiões fortalecem a notoriedade da marca, encorpam o tráfego e garantem conversões e ofertas superiores.

Convivência harmônica com a Black Friday

Pelo menos no modelo de negócios da Shopee, o 11/11 — principal data dupla da marca no país — já desbanca a Black Friday. Enquanto a empresa planeja distribuir R$ 23 milhões em cupons adicionais na última sexta-feira de novembro, o montante para o seu festival próprio será de R$ 25 milhões. Em 2025, o aporte próprio foi de R$ 20 milhões, marca que resultou na comercialização de mais de 20 milhões de itens em apenas um dia.

Apesar da proximidade no calendário de consumo, as datas duplas e a Black Friday parecem caminhar juntas sem gerar canibalização. Um levantamento conduzido por Gauge, Ecglobal e W3haus, integrantes da Stefanini Marketing, aponta que nove de dez compradores mantêm firmes os planos de adquirir produtos na principal campanha de novembro.

O avanço das datas duplas caminha lado a lado com uma antecipação generalizada nas decisões de compra. A pesquisa demonstra que 56% dos clientes iniciam as buscas por produtos mais de 30 dias antes da Black Friday, índice que mais do que dobrou em comparação aos 21% marcados em 2021.

“Para o varejo em geral, mas especialmente para o varejo online, ter a data dupla em 11/11 e a Black Friday é muito conveniente. Cria dois momentos intensos de consumo. Tem toda uma questão de planejamento da logística, pois as pessoas planejarem compras de ticket maior”, aponta Nakagawa.

Logística acelerada e vagas temporárias

Em virtude do ritmo acelerado de expansão no Brasil, a Shopee aprimora sua infraestrutura logística de forma orgânica. Para novembro, a empresa assegura que entregará sua operação mais rápida até o momento. A companhia incorporou quatro novos centros de distribuição e ampliou um já existente, totalizando 30 unidades desse tipo.

Para dar conta do fluxo intenso, a varejista abriu 14 mil postos de trabalho, englobando vagas temporárias e efetivas ao longo do mês. “É uma expansão contínua, mas, claro, esperamos que novembro seja o maior mês em vendas da nossa história, como tem ocorrido nos últimos anos”, diz Piringer.

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