Roteiro de 36 horas no Lago de Como, na Itália, destaca vilarejos, arte e gastronomia

Roteiro de 36 horas pelo Lago de Como une arte e gastronomia

Turismo

Localizado ao norte de Milão, o Lago de Como reúne paisagens cinematográficas formadas por águas límpidas cercadas por encostas dramáticas e os picos alpinos ao fundo. Antigo refúgio de grandes nomes da literatura como Shelley e Stendhal, o destino preserva palacetes suntuosos, tradição na produção de seda e estaleiros históricos, convivendo hoje com uma atmosfera vibrante impulsionada por novos hotéis de alto padrão, restaurantes aclamados e moradores ilustres, como o ator George Clooney.

O período mais propício para visitas vai de abril a outubro. Embora o verão europeu recente tenha registrado ondas de calor e estiagens pontuais, a imponência natural e o charme aristocrático permanecem intocados. A seguir, veja como planejar um final de semana inesquecível de 36 horas pela região.

Sexta-feira: boas-vindas sobre a água

18h – Navegação ao entardecer A perspectiva náutica é indispensável para contemplar as vilas históricas e fortificações de pedra emolduradas pelas montanhas. Símbolo dessa tradição, os barcos artesanais de madeira do estaleiro Ernesto Riva, ativo desde 1771, marcaram épocas — desde rotas clandestinas na fronteira suíça até o traslado de celebridades. Para um passeio exclusivo em embarcações clássicas, a Como Classic Boats oferece tours a partir de 350 euros (cerca de R$ 1.971, com saída mínima de duas horas). Já o transporte público hidroviário funciona como alternativa acessível, com passagens a partir de 10,40 euros (aproximadamente R$ 59).

20h – Jantar com vista panorâmica No vilarejo de Carate Urio, o Una Finestra sul Lago (“uma janela para o lago”) oferece mesas debruçadas sobre as águas e ambiente envidraçado. O cardápio aposta em frutos do mar e sugestões contemporâneas, como o carpaccio de atum com ervilhas-tortas e emulsão de soja (29 euros ou cerca de R$ 163) e pizzas gourmet (a partir de 19 euros ou R$ 107). A carta de vinhos inclui garrafas raras do produtor Stefano Beltrama, com tiragem anual de apenas 5 mil unidades.

Sábado: patrimônio, compras e jardins centenários

8h30 – Café da manhã cercado por arte Construída na década de 1930, a imponente villa Casabianca abriga uma filial da tradicional doceria milanesa Cova, além de hotelaria de luxo e acervo particular da família De Santis — dona do Grand Hotel Tremezzo e do Passalacqua. Entre móveis desenhados por Gio Ponti e Ico Parisi e obras de Marina Abramovic, Anselm Kiefer e Giuseppe Penone, os visitantes degustam cafés e cornetti servidos em louça fina. Os doces custam a partir de 5 euros (cerca de R$ 28), e a visita à galeria sai por 15 euros (cerca de R$ 84).

10h – Sabores locais no mercado municipal Fundado em 1934, o mercado coberto da cidade de Como funciona quatro dias por semana e permanece como ponto central da vida comunitária. Entre as bancas mais concorridas está a Casole Roccolo, referência em queijos caprinos orgânicos artesanais (a partir de 11,80 euros ou R$ 66). Para completar a parada matinal, peça um espresso no balcão do Bottega del Vino (a partir de 1,60 euro ou R$ 9).

10h30 – Caminhada pelo centro histórico Fundada sob o comando de Júlio César em 59 a.C., Como guarda marcos monumentais. Destacam-se a imponente torre Porta Vittoria (1192), a Basílica românica de San Fedele (c. 1120) e a magnífica catedral em estilo gótico iniciada em 1396, adornada com tapeçarias quinhentistas e detalhes dourados. Atrás dela fica o Palazzo Broletto, antiga prefeitura medieval de 1215. Para aprofundar o passeio cultural, visite a Pinacoteca Civica (6 euros ou R$ 34) e o Museu da Seda (10 euros ou R$ 56), que exibe a trajetória têxtil e teares históricos que tornaram a região polo global no século 16.

11h45 – Comércio autoral e aperitivos A Via Vittorio Emanuele II concentra lojas renomadas como as butiques Tessabit e A.Gi.Emme, ambas dos anos 1950, além da centenária A. Picci, que desde 1919 confecciona gravatas e echarpes de seda pura. Outro ponto curioso é a Gioielleria Lopez, que mistura joalheria autoral, antiquário e um balcão dos anos 1920 que serve drinques e chás. Na vizinha Via Vitani, passe pela Vineria Vitani para degustar o clássico aperitivo antes da refeição.

13h15 – Almoço de montanha ou refúgio botânico Em Tremezzo, o rústico La Fagurida opera desde 1974 em uma encosta cercada de verde. O menu valoriza pratos alpinos como a polenta uncia com queijo e manteiga, risoto com peixe do lago e ensopado de coelho (pratos principais a partir de 18 euros ou R$ 101). Quem preferir permanecer em Como pode optar pelo Figli di Fiori (“filhos das flores”), charmoso espaço que une floricultura e bistrô em uma estufa de vidro, com massas frescas como o ravióli de burrata (a partir de 21 euros ou R$ 118).

15h – Coleções botânicas à beira d’água Durante os séculos 18 e 19, nobres locais transformaram suas propriedades em jardins espetaculares. Em Lenno, a Villa del Balbianello exibe topiarias impecáveis em um promontório isolado (ingressos a partir de 15 euros ou R$ 85), acessível por uma trilha curta de 25 minutos. Pouco adiante, em Tremezzo, a Villa Carlotta (17,50 euros ou R$ 99) ostenta mais de 150 espécies de azaleias e rododendros. Ao lado, o Parque Teresio Olivelli é parada estratégica para um mergulho rápido.

17h30 – Serenidade nas margens de Lenno Longe do turismo excessivo, o vilarejo de Lenno abriga parte da rota Greenway e enseadas de cascalho. Em Campo, antigo assentamento romano, vielas de pedra conduzem até a célebre Villa Balbiano. Em Ossuccio, a visita ao Antiquarium dá direito à travessia de barco até a Isola Comacina, única ilha do lago, que reúne

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