O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira que acompanha com atenção e apreensão a evolução da dívida pública do país. Durante entrevista concedida à TV Globo, o mandatário sustentou que a retomada e o fortalecimento do crescimento econômico são os caminhos fundamentais para solucionar o quadro fiscal, alertando que a desordem nas contas estatais penaliza diretamente as camadas sociais mais vulneráveis.
“Você acha que eu não estou preocupado? É lógico que eu estou preocupado. Eu criei uma família com 5 filhos, eu sei o que é dívida”, afirmou Lula ao comentar a situação financeira federal.
Na sequência, o chefe do Executivo reiterou a necessidade de cautela na gestão dos recursos do Estado: “Eu trato com muito respeito essa questão da dívida, eu não quero que a dívida cresça”.
Mudança de tom e cenário fiscal
A manifestação recente marca uma modulação no discurso do presidente sobre as finanças do país. No final de agosto, em sabatina ao Jornal Nacional, Lula havia pontuado que o patamar do endividamento não era uma fonte de inquietação e projetou que o Brasil terminaria o ano com superávit fiscal.
O debate sobre a higidez das contas do governo tornou-se um dos principais alvos de críticas dos adversários políticos durante a corrida presidencial. Concorrendo à reeleição, Lula trava a disputa pelo Palácio do Planalto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com decisão marcada para o próximo dia 25 deste mês, data em que os eleitores voltam às urnas para o segundo turno.
A pressão sobre o tema ganhou novos contornos após levantamento divulgado pelo Banco Central no fim de setembro. O relatório oficial da autoridade monetária revelou que a dívida bruta brasileira atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês de agosto.
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