Descanso de trabalhador não quebra empresas, diz Lula após fim da 6x1

Fim da escala 6×1 não vai quebrar empresas, defende Lula

Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa da reformulação na jornada de trabalho no país durante a cerimônia de promulgação da Emenda Constitucional 221, realizada nesta sexta-feira (16). A nova legislação extingue o regime 6×1 e adota o padrão 5×2 para o conjunto dos profissionais brasileiros, diminuindo a carga máxima semanal de 44 para 40 horas, sem perda salarial. Em resposta aos temores externados pelo setor produtivo, o chefe do Executivo enfatizou que “ninguém quer que a empresa quebre”, mas que também “ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso”.

“É combinar a manutenção e a existência da empresa com a manutenção e a saúde das mulheres e dos homens que trabalham”, resumiu.

Lula enfatizou a necessidade de garantir a convivência e a qualidade de vida da população. “Pelo amor de Deus, se a gente não garantir o direito de o ser humano descansar, de o ser humano ter o direito de visitar a família, de visitar os parentes, de levar a criança a uma praça, a algum lugar para descansar, se a gente não garante isso, que tipo de seres humanos que nós somos?”, disse Lula.

O presidente também pontuou que o impacto positivo do modelo será expressivo para o público feminino, apontando que “o dia do descanso é o dia que elas mais trabalham”. Diante disso, reforçou: “Não é possível que as pessoas não tenham sensibilidade”.

Reação patronal e inovação

A tramitação do projeto enfrentou forte oposição de entidades corporativas e parlamentares oposicionistas, sob o argumento de que a adequação causaria danos financeiros às companhias e ao país. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, já manifestou o desejo de rever a regra promulgada.

Lula argumentou que o cotidiano profissional vem se tornando cada vez mais desgastante e repudiou discursos que tentam responsabilizar a classe trabalhadora por eventuais crises apenas por demandar um dia a mais de folga.

“A palavra correta é mentira. Até porque, a lei aprovada é tão clara e tão decente que ela fala que qualquer problema será discutido e resolvido. Ninguém está se negando a discutir”, rebateu.

Além disso, o mandatário recordou a revolução tecnológica presenciada nas últimas cinco décadas, indicando que essas inovações possibilitaram “mais lucros para os empresários”.

Precedentes históricos

Ao contextualizar a discussão, Lula traçou paralelos com debates de períodos anteriores. Ele citou o processo de formulação da Carta Magna de 1988, que reduziu o expediente semanal de 48 para 44 horas após o término do regime militar.

“Logo que nós aprovamos a Constituição, os críticos de sempre já queriam mudar a Constituição. [Diziam] que a Constituição iria atrapalhar o crescimento do Brasil”, disse.

O presidente declarou que esse padrão de pessimismo costuma ressurgir a cada novo avanço social. “Foi assim em todas as lutas. Não tem uma conquista do povo trabalhador que não aparece aqueles dizendo isso vai ser um atraso para o país, isso vai quebrar as empresas, isso vai quebrar a economia”, completou.

Ele também mencionou a implementação do 13º salário na década de 1960: “[Foi] a mesma coisa, vai quebrar as empresas, vai afundar as empresas, no mundo inteiro não tem isso. Não quebrou as empresas”.

Divergências nas projeções econômicas

Os impactos concretos sobre a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB) continuam gerando análises distintas entre especialistas. Enquanto estimativas encomendadas por grupos patronais preveem danos expressivos, outras pesquisas sustentam que os reflexos tendem a ser baixos e absorvíveis. Levantamento de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o aumento no custo operacional será de cerca de 1% na indústria e no comércio, podendo atingir 6,6% em áreas como segurança privada e vigilância.

Para resguardar os pequenos empreendimentos, a Câmara dos

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