Portugal pode entrar na corrida para produzir o Citroën 2CV

Fábrica de Mangualde pode vir a produzir o novo Citroën 2CV

Automóveis

A unidade da Stellantis em Mangualde possui plenas condições para assegurar a fabricação do inédito Citroën 2CV elétrico. Embora a definição industrial do futuro veículo continue em aberto, Múcio Brasileiro, diretor-geral da fábrica portuguesa, reconhece as qualidades da estrutura e não esconde o desejo de resgatar um modelo tão marcante para a história local.

O diretor-executivo da Citroën, Xavier Chardon, já havia garantido em Paris que o novo 2CV será fabricado em solo europeu, embora o local exato permaneça indefinido. Questionado sobre a possibilidade, Múcio Brasileiro declarou: “sonhar não custa (…). Seria uma honra enorme”, sem confirmar avaliações em curso para o projeto. Esse entusiasmo fundamenta-se na alta rentabilidade e competitividade da unidade portuguesa no cenário global. As declarações foram concedidas durante o podcast Auto Talks, no Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico (SAHE), na Alfândega do Porto.

Os argumentos de Mangualde

Essa hipótese possui sólida base industrial. A planta lusa sobressai-se dentro do grupo automobilístico pela eficiência, controle de custos e excelência na qualidade, atributos fundamentais para um automóvel que a marca francesa pretende posicionar a partir dos 15 mil euros na Europa.

A relação histórica com o veículo teve início em 1964, ano em que a unidade inaugurou suas atividades justamente montando o Citroën 2CV. Foi também de lá que saiu a última unidade mundial do modelo, em 27 de julho de 1990.

Durante a entrevista, o diretor-geral ressaltou que a manutenção da competitividade é indispensável para captar novos aportes financeiros. A chegada dos carros eletrificados provou a agilidade da equipe portuguesa, com a fabricação em série tendo iniciado em outubro de 2024, antes do cronograma previsto pela Stellantis. O processo envolveu a instalação de uma linha de montagem de baterias e capacitação profissional. Para o executivo, o fator humano permanece determinante: “Os nossos funcionários fazem toda a diferença. E vão fazer sempre”, afirmou.

O prestígio da fábrica também é validado pela alta cúpula da marca. Em contato anterior em Paris, Xavier Jardon classificou a unidade lusitana como “uma das fábricas mais eficientes”.

Possível redistribuição da capacidade produtiva

Apesar de operar próxima ao limite máximo, a chegada do 2CV não exigiria necessariamente um acréscimo puro ao volume atual. Modelos como Citroën Berlingo, Peugeot Partner/Rifter, Opel Combo e Fiat Doblò também são montados em outras instalações do conglomerado, a exemplo de Vigo, na Espanha, que produz a gama em variantes térmicas e elétricas.

Uma alternativa viável envolveria remanejar parte ou a totalidade das cerca de 90 mil unidades anuais hoje concentradas em Mangualde para outras plantas ociosas. Essa manobra abriria espaço físico necessário para receber o projeto do novo 2CV.

Trata-se de uma projeção estratégica dependente das diretrizes globais da Stellantis. Múcio Brasileiro pontuou que não existem anúncios oficiais sobre transferências de linhas ou alocações do modelo para Portugal, lembrando que tais definições ocorrem na cúpula diretiva do grupo, sem interferência direta das plantas locais.

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