A herança da comunidade italiana em Belo Horizonte manifesta-se tanto nos traços deixados por seus profissionais na paisagem urbana quanto em uma obra-coração desse grupo social. Localizado na Rua dos Tamoios, n. 341, o endereço que abrigou a antiga Sociedade Italiana de Beneficência e Mútuo Socorro — importante polo de assistência e sociabilidade dos imigrantes — passou por sucessivas transformações arquitetônicas, refletindo a evolução construtiva da capital mineira.
Primeiras propostas e o estilo eclético
A trajetória do local começou a ser desenhada em 1899, quando o arquiteto italiano Boschi Ettore elaborou o primeiro projeto para a instituição. A fachada pretendida exibia estilo eclético, destacando-se por um frontão ricamente ornamentado e estatuetas no coroamento. Embora o plano conste nos arquivos da Prefeitura de BH, não há comprovação documental de que o imóvel tenha sido erguido de fato.
Anos mais tarde, em 1915, a Prefeitura Municipal validou uma nova planta para o terreno, cuja autoria permanece desconhecida nos documentos. A fachada também seguia o padrão eclético e aparece em registros fotográficos antigos. Com uma área superior à planejada em 1899, o projeto incorporou elementos neoclássicos, tais como frontão triangular, balaustradas, rusticação e aberturas em arcos plenos.
Ampliações e a chegada da Casa d’Itália
A necessidade de espaços maiores gerou uma proposta de reforma e expansão em 1920, desenvolvida pelo arquiteto italiano Octaviano Lapertosa. A intervenção manteve a volumetria original e acrescentou duas alas laterais avançadas. Lapertosa repetiu a estética preexistente nas novas estruturas, garantindo a harmonia visual do conjunto arquitetônico.
A última grande mudança no endereço ocorreu na década de 1930 com o advento do estilo art déco, que orientou a construção da Casa d’Itália. O novo prédio, erguido em dois pavimentos, era consideravelmente maior que as versões anteriores, mas exigiu a demolição do edifício eclético erguido nos primeiros anos da cidade.
Nesse período, diversos arquitetos de destaque adeptos do art déco em BH eram italianos ou descendentes. A Casa d’Itália teve seu projeto assinado em 1935 pelo arquiteto Raffaello Berti e pelo ítalo-descendente Luiz Signorelli.
Destruição e desfecho do imóvel
Ironicamente, o icônico edifício transformou-se em alvo durante a Segunda Guerra Mundial, período em que o Brasil combateu a Itália. Em 1942, o local sofreu depredações e incêndios provocados por populares. Logo após, o governo federal confiscou o patrimônio, repassando-o inicialmente para a Assembleia Legislativa e, posteriormente, para a Câmara Municipal de Belo Horizonte. O prédio acabou sendo demolido no ano de 1988 para a construção de um hotel.
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