Mulher cria empresa de mudanças para ajudar outras mulheres após a separação: fatura R$ 70 mil por mês

Britânica fatura R$ 70 mil com mudanças seguras para mulheres

Estilo de Vida

Um trabalho extra com propósito acabou virando uma empresa lucrativa de mudanças para ajudar mulheres que enfrentam momentos difíceis após a separação. A ideia foi de uma outra mulher, pensando em quem precisa sair de casa e recomeçar a vida sozinha. Hannah Crawford, de 29 anos, criou uma empresa de mudanças no Reino Unido que oferece mais do que transporte de móveis: segurança, acolhimento e apoio emocional. Hoje, o negócio fatura 10 mil libras por mês, o equivalente a quase R$ 70 mil.

A ideia surgiu em abril de 2025, quando Hannah começou a oferecer serviços de mudança para outras mulheres. Ela descobriu que muitas tinham medo de contratar homens desconhecidos para entrar em casa. Uma delas contou que um profissional passou a enviar mensagens assustadoras depois de descobrir onde ela morava. O serviço fez tanto sucesso que, em apenas três meses, Hannah já trabalhava seis dias por semana. E a empresa cresceu. Agora, em outubro de 2026, conta com uma rede de 20 profissionais, atende mulheres e pessoas LGBTQ+ em diferentes regiões do Reino Unido e tem planos de multiplicar o faturamento por cinco até o fim do ano. “Tive a ideia de ajudar outras mulheres a se mudarem e achei que seria bastante interessante, divertido e que me permitiria conhecer novas pessoas”, contou à agência SWNS.

A origem da iniciativa

Natural de Bathgate, na Escócia, Hannah mora atualmente em Hampstead, Londres. Antes de criar o negócio, ela trabalhava como produtora teatral e coach de negócios. E passou a oferecer ajuda em grupos do Facebook, sem imaginar a quantidade de mulheres interessadas. “Sempre fui alguém a quem as pessoas recorrem em momentos de crise, quando precisam de alguém que tenha a vida sob controle”, explicou. As primeiras publicações viralizaram e revelaram um problema maior do que ela imaginava. “Comecei a receber mensagens diretas de muitas pessoas contando histórias sobre suas piores experiências de mudança de todos os tempos.”

Algumas clientes reclamavam de objetos quebrados, atrasos e profissionais descuidados. Outras relatavam situações de insegurança. “Uma mulher disse que o homem que a ajudou na mudança sabia onde ela morava e começou a enviar mensagens assustadoras”, lembrou. Nesse momento de dor das pessoas ela descobriu um negócio lucrativo. “É uma loucura ver mulheres e pessoas “queer” se prepararem e se armarem de coragem para uma experiência ruim em uma situação que já é bastante estressante.”

Vídeo viral e expansão

Em abril de 2025, Hannah começou a alugar vans para realizar as mudanças. Preferiu não comprar um veículo porque o seguro era caro e ainda não sabia qual seria a demanda. Em julho do ano passado, já trabalhava seis dias por semana e não conseguia aceitar todos os pedidos. O negócio ganhou ainda mais visibilidade em junho de 2026, quando ela publicou no Instagram um vídeo contando como havia ajudado uma mulher a se mudar depois de um término recente de relacionamento. A publicação viralizou e Hannah conquistou 8.300 seguidores em apenas duas semanas.

A procura cresceu tanto que ficou impossível continuar fazendo tudo sozinha. Em setembro de 2026, a empreendedora lançou uma rede com empresas de mudanças parceiras, que passou a atender clientes em diferentes regiões do Reino Unido. Hoje, ela atende em localidades distantes, de Elgin, na Escócia, até Devon e Cornwall, no sul da Inglaterra. “A meta para o final do ano é conseguir 100 trabalhos por mês e fazer 100 mudanças diferentes”, afirmou.

Funcionamento e empatia

A empresa atende desde pessoas que precisam transportar poucos pertences até famílias que desejam mudar de cidade com todos os móveis da casa. A cliente entra em contato, informa o tamanho da mudança e recebe um orçamento. Depois, o pedido é encaminhado à rede de profissionais, que assume o atendimento. O preço considera a quantidade de objetos, os equipamentos necessários, o seguro, o combustível e a distância percorrida. E quando a mudança envolve uma casa inteira ou viagens entre cidades, ela afirma que a empresa costuma oferecer preços competitivos.

A empreendedora também procura criar oportunidades de trabalho para outras mulheres, com horários flexíveis. “As pessoas têm a oportunidade de ganhar dinheiro quando lhes convém”, explicou. A flexibilidade permite, por exemplo, que mães organizem os serviços de acordo com os horários de cuidado dos filhos.

A preocupação de Hannah com as clientes não surgiu apenas das histórias que ouviu. Aos 20 anos, ela própria enfrentou uma mudança difícil, sem dinheiro para contratar ajuda e sem carro para transportar os pertences. Na época, cursava o terceiro ano da universidade, em Londres, e precisava levar tudo o que conseguia carregar nos trens. “Eu nem sequer tinha um carro”, lembrou. “Eu estava caminhando com bolhas nas mãos enquanto atravessava Euston em direção à estação de trem para voltar para casa, pensando: ‘isso é o pior’.” A lembrança daquela experiência influencia a maneira como atende as clientes. “Se eu tivesse tido alguém como eu para dizer ‘está tudo bem, eu tenho minha van e tudo o que precisamos, vamos dar uma volta e parar para tomar um café e comer uns lanches’ e cuidar de mim naquele dia, isso teria mudado minha vida naquele momento.”

Hoje, além de ampliar a empresa, ela espera que o crescimento do negócio incentive outras empreendedoras a criar serviços voltados às necessidades específicas das mulheres. “Acho também que ver empresas lideradas por mulheres que atendem às necessidades de outras mulheres e pessoas queer é algo brilhante, e precisamos de mais disso”, concluiu.

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