Durante a campanha eleitoral de 2026, servidores do Roblox têm sido palco de buzinaços, carreatas virtuais e eventos políticos organizados por apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Divulgadas nas redes sociais e centradas principalmente no popular servidor Brookhaven, as manifestações recriam atos tradicionais com avatares personalizados, bandeiras, cartazes e até referências a shows. No entanto, a empresa responsável pelo jogo confirmou que esse tipo de atividade fere suas diretrizes internas.
As normas da plataforma de jogos vetam expressamente a representação de figuras públicas, autoridades atuais ou recentes, candidatos, partidos e materiais de campanha. Em comunicado oficial enviado à reportagem, a companhia detalhou a postura adotada para preservar um ambiente cordial:
“Como deixamos claro em nossas Normas da Comunidade, para manter um ambiente respeitoso, proibimos a representação de conteúdo relacionado a figuras e entidades políticas, incluindo candidatos que estejam concorrendo a cargos públicos, bem como seus slogans, materiais de campanha, comícios ou eventos”, informou a companhia.
Apesar da proibição severa quanto às regras de uso do software, a empresa ainda não especificou quais punições serão aplicadas aos manifestantes virtuais e se haverá bloqueio de contas.
A legislação do TSE e o impacto nos games
A restrição imposta pela desenvolvedora não se confunde com as leis eleitorais do Brasil. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda na internet é regida pela Resolução nº 23.610/2019, embora o órgão não emita pareceres prévios sobre cenários hipotéticos. A manifestação espontânea de cidadãos na rede é permitida, o que diferencia a atitude de eleitores comuns de ações planejadas e financiadas por comitês oficiais.
Marcelo Mattoso, advogado especialista em Mercado de Games e Tecnologia, avalia que ações estruturadas por equipes de campanha para promover números ou slogans em ambientes online podem ser enquadradas como propaganda eleitoral. Pagamentos a participantes ou impulsionamentos artificiais também atraem regras de financiamento e prestação de contas, enquanto a preferência política isolada de um indivíduo não configura infração automática.
Conflito entre leis e regras privadas
O cenário expõe a distinção entre a legislação brasileira e os termos de uso de empresas privadas, como a desenvolvedora do Roblox e a Epic Games, criadora do Fortnite.
Mesmo que um ato político seja legal perante a Justiça Eleitoral brasileira por ocorrer de forma espontânea, a plataforma digital tem autonomia para remover o conteúdo por descumprir suas próprias diretrizes. Enquanto o enquadramento jurídico pelo TSE parece improvável para atos orgânicos, as carreatas virtuais de Lula e Flávio Bolsonaro colidem diretamente com as proibições do jogo, embora a empresa ainda não tenha detalhado se os usuários envolvidos serão banidos.
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