Quatro dos maiores grupos de telecomunicações da Europa avaliam lançar seus próprios serviços móveis via satélite para desafiar o domínio da Starlink, de Elon Musk. A iniciativa pode acirrar ainda mais as tensões transatlânticas em torno dessa tecnologia de comunicação.
Deutsche Telekom, Orange, Telefónica e Vodafone disseram nesta segunda-feira (19) que assinaram uma carta de intenções para avaliar uma proposta conjunta pelo espectro de radiofrequência que lhes permitiria oferecer serviços móveis via satélite com conexão “direta ao dispositivo” na Europa.
A iniciativa ocorre em meio à intensificação de uma disputa geopolítica sobre esse tipo de serviço.
Disputa pelo espectro e tensões internacionais
Em maio, a Comissão Europeia propôs reservar para empresas europeias a parte de sua faixa de espectro que permite a conexão direta de smartphones a satélites. A chamada faixa de frequência de 2 GHz é atualmente utilizada por duas empresas americanas, Viasat e EchoStar, cujas licenças expiram no próximo ano.
A proposta virou motivo de tensão transatlântica. Na semana passada, o embaixador dos Estados Unidos junto à União Europeia disse ao Financial Times que as empresas europeias enfrentariam uma retaliação “devastadora” se o bloco não alterasse sua proposta, que prejudicaria empresas americanas como a Starlink.
Os planos da Comissão foram duramente criticados pela SpaceX, que opera a plataforma Starlink. A gigante de tecnologia alertou que a medida poderia resultar em pior conectividade na Ucrânia, onde a Starlink tem sido crucial para as communications civis e militares desde a invasão em grande escala pela Rússia.
A Starlink esteve no centro de uma polêmica neste mês depois que seus serviços sofreram interrupções na Ucrânia, em meio às tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
Parcerias e desafios tecnológicos
A iniciativa conjunta das empresas europeias na área de satélites foi elogiada em caráter privado por autoridades do bloco, segundo várias pessoas envolvidas nas discussões. A UE busca reduzir a forte dependência da Europa de infraestruturas digitais essenciais fornecidas por empresas de fora do bloco.
A iniciativa exigiria que as empresas instalassem a infraestrutura terrestre necessária —ou estações-base— para a conectividade via satélite.
No entanto, em vez de desenvolverem sua própria constelação de satélites, elas firmariam parceria com um provedor já existente, que ainda não foi escolhido.
Isso pode ser um desafio, já que empresas americanas ou chinesas operam a maioria das constelações de satélites. A operadora francesa de satélites Eutelsat desenvolveu uma constelação de grande escala, mas está muito atrás da Starlink, que tem mais de 11 mil satélites em órbita.
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