“Estrategista de negócios” do Xbox afirma que a indústria de videogames está “fingindo não usar IA” e exclui conta no Twitter após enxurrada de respostas

Estrategista do Xbox diz que indústria dos games finge não usar IA

Tecnologia

Um funcionário do Xbox gerou grande repercussão nas redes sociais ao expor o que chamou de “a verdade que ninguém quer que você saiba”: o fato de que a indústria de videogames está “fingindo” não utilizar inteligência artificial.

Brandon Stirrup, que atua como estrategista de negócios da divisão de jogos da Microsoft, revelou na plataforma X (antigo Twitter) que conseguiu desenvolver um “joguinho ruim” após apenas três horas de trabalho empregando ferramentas de inteligência artificial. A partir desse teste, ele argumentou que a tecnologia já está muito mais integrada ao desenvolvimento de jogos do que as empresas costumam admitir publicamente.

Em publicações resgatadas por usuários do Reddit, Stirrup afirmou categoricamente que “a indústria de jogos é a única que finge não usar IA” e acrescentou: “se você é um desenvolvedor de jogos que se recusa a acreditar que a IA tem um lugar no seu futuro, você não deveria estar no ramo de negócios”.

O estrategista também pontuou: “Olha, se eu for demitido amanhã, será porque te contei a verdade que ninguém quer que você saiba. Você pode criar um jogo com um simples prompt e, sim, pode criar jogos personalizados e sob medida. Tudo o que você quer em um jogo está bem ali à sua disposição, para o bem ou para o mal.”

Ele ainda pontuou sobre assumir os riscos de suas declarações: “Fico feliz em arcar com as consequências se isso significar que centenas de pessoas na Xbox possam parar de fingir que não estão usando IA. É hora de aceitar e seguir em frente”.

“Eu amo a Xbox e a Microsoft e passei mais de 10 anos provando isso”, completou. “Meu objetivo é encerrar essa questão para que possamos seguir em frente como empresa, apesar de que alguns vão me perseguir por isso: usamos IA, assim como todas as empresas fazem em 2026”.

O impacto das postagens A enxurrada de respostas e críticas recebidas na rede social culminou na desativação da conta de Stirrup, conforme relatado por uma fonte ligada ao Xbox.

O debate sobre a inteligência artificial tem tomado o centro das discussões no mercado de entretenimento eletrônico. A Epic Games, criadora de Fortnite, revelou planos para que o código de seu próximo jogo de tiro baseado em Star Wars seja totalmente redigido por inteligência artificial, com a direção do projeto garantindo que não haverá “nenhum código escrito à mão”. Tim Sweeney, líder da Epic, tem defendido ativamente o uso da tecnologia, apesar de enfrentar resistência de parte do público.

Já a Capcom demonstrou recentemente o sistema “REX” para otimizar o motor RE por meio da IA. Contudo, a criadora de Resident Evil esclareceu que a ferramenta serve apenas para elevar “a eficiência e a produtividade do processo de desenvolvimento do jogo”, evitando o uso de IA generativa para a criação em larga escala de elementos gráficos e códigos brutos.

Além da produção direta, a tecnologia tem revolucionado áreas como a descompilação de softwares, modding e até mesmo o desbloqueio de consoles. A Sony, por exemplo, enfrenta riscos de jailbreak no PlayStation 5 antes da chegada de GTA 6, o que poderia viabilizar versões não oficiais do título da Rockstar no computador — um cenário indesejado pela Take-Two.

Enquanto estúdios evitam associar a inteligência artificial à produção de arte e recursos visuais, sua presença se torna inevitável. Softwares fundamentais, como a Unreal Engine, já incorporam recursos generativos em sua interface, deixando evidente que o setor caminha para uma adoção cada vez mais aberta da tecnologia.

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