A Doença de Newcastle, detectada no Brasil, traz risco para os humanos?

Doença de Newcastle em Santa Catarina: vírus afeta humanos?

Curiosidades

O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou um foco de doença de Newcastle (NDV, na sigla em inglês) em uma granja de criação de perus localizada no município de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Conforme as autoridades, embora o patógeno tenha sido identificado por meio de exames laboratoriais, os animais afetados não manifestaram sintomas da enfermidade.

Como consequência da detecção, China e México já suspenderam de forma parcial ou total a importação de carne de frango brasileira. Apesar disso, especialistas garantem que não há motivo para pânico, visto que a patologia não representa riscos para os seres humanos.

Riscos para humanos e transmissão

A contaminação humana é considerada possível, porém extremamente rara e não grave. É importante destacar que não se contrai a enfermidade por meio do consumo de frangos doentes que estejam devidamente cozidos.

Os episódios de infecção em pessoas concentram-se naqueles que trabalham de maneira direta com as aves, sendo totalmente evitáveis através do uso de equipamentos de proteção individual (EPI). Na eventualidade de uma contaminação — ocorrência tida como rara —, a doença de Newcastle em humanos provoca manifestações clínicas parecidas com as de uma gripe ou de uma conjuntivite leve, que costumam sumir por conta própria.

Como o vírus se espalha entre as aves

A NDV é gerada por uma variação do vírus Orthoavulavirus javaense e ataca primariamente o organismo das aves. Trata-se de uma condição altamente contagiosa, disseminada sobretudo por meio do contato direto entre espécimes saudáveis e as secreções expelidas por animais já contaminados.

Todas as secreções dos bichos infectados carregam uma elevada carga viral, capaz de resistir por dias ou semanas nas superfícies de objetos. Trata-se de uma combinação destrutiva que facilita a propagação veloz da moléstia por vias mecânicas, a exemplo de calçados e roupas sujos com fluidos contaminados.

Nas granjas comerciais, o confinamento contribui para acelerar a transmissão. “Quando o vírus é introduzido em um rebanho suscetível, praticamente todas as aves serão infectadas em um período de dois a seis dias”, pontua um documento informativo da Organização Mundial da Saúde Animal.

Sintomas e protocolo de contenção

A infecção pode ocorrer de forma assintomática, a exemplo do cenário observado nas granjas catarinenses. Quando a patologia desenvolve sinais clínicos, o agente agride os sistemas respiratório, nervoso e digestivo das aves.

O quadro sintomatológico abrange: – Dificuldade respiratória; – Sinais nervosos (depressão, falta de apetite, tremores musculares, asas caídas, torção da cabeça e do pescoço, movimentos circulares, paralisia completa); – Inchaço nos tecidos ao redor dos olhos e do pescoço; – Diarreia esverdeada e aquosa; – Ovos deformados, com casca áspera ou fina; – Queda expressiva na produção de ovos.

Como a taxa de mortalidade pode alcançar até 100%, a confirmação da doença de Newcastle exige a ativação imediata de um protocolo específico para barrar surtos ou epidemias. As ações englobam a imposição de quarentenas, o abate humanitário de todas as aves infectadas ou que tenham sido expostas à contaminação, o descarte adequado das carcaças e a rigorosa desinfecção das estruturas físicas.

“Já estamos in loco, contendo e erradicando a presença desse vírus. Nós vamos tratar o local como um foco, será feita a erradicação, a desinfecção e a Cidasc [Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina] só vai sair de lá quando o foco for eliminado. Isso deve ser o mais rapidamente possível. Tão logo o foco seja eliminado, também serão todos informados, inclusive cumprindo o nosso compromisso com o mercado externo, que depende da nossa sanidade do plantel para as importações” declarou Celes Regina de Matos, presidente da Cidasc, em entrevista à Agência Brasil.

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